Ensinando a pensar

…A questão da falta de professores no ensino médio exige atenção…

O Ministério da Educação (MEC) quer tornar obrigatórias as disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio de todo o País. A proposta foi enviada para discussão do Conselho Nacional de Educação (CNE) e a decisão deve sair até o fim de março. Atualmente, as matérias já são oferecidas em redes de ensino de 12 Estados, obrigatoriamente ou como opção para os alunos.

Essa é a primeira vez que a questão volta a ser debatida nacionalmente desde 2001, quando o ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso vetou um projeto de lei que pedia a volta das disciplinas. Na época, ele alegou que faltavam professores para cumprir a futura demanda. “A questão da falta de professores exige atenção, mas faltam também para física, química e biologia no ensino médio. Isso não pode ser obstáculo para que elas façam parte da grade curricular”, diz a diretora de Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica do MEC, Lúcia Helena Lodi.

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Escola privada amplia domínio na Fuvest

…uma família que tem renda de R$ 2 mil pode realmente pagar uma boa universidade particular com mensalidade de R$ 900?

Mais uma vez os “intelectuais” do país, mídia, professores, querem dar uma de Robin Hood. O discurso é o de sempre: tirar dos “ricos” e dar aos “pobres”.

Ao ser concluído mais um exame da FUVEST, o que era previsto se concretizou: a escola privada mais uma vez dominou as aprovações da FUVEST. E então os milionários do país mais uma vez entraram na tão sonhada USP? Os ricassos do país, aqueles que passaram na USP, segundo as estatíticas de 2005, 39,2% têm renda mensal familiar até R$ 1500. Somente 5,6% declararam que sua renda mensal familiar é superior a 10 mil reais.

Então, será que essas pessoas que freqüentam as listas de aprovados estão realmente roubando vagas de quem não pode estudar? Afinal, uma família que tem renda de R$ 2 mil pode realmente pagar uma boa universidade particular como a PUC que apresenta mensalidade em média R$ 900,00?

Todos têm direito de estudar e o critério da FUVEST exclui os alunos que estão menos preparados. Será que a FUVEST deveria rebaixar seus critérios ou as escolas públicas deveriam tornar seus alunos (85% dos jovens em idade escolar) realmente capazes de competir? Afinal, não é a prova da FUVEST que faz o aluno da escola pública ser reprovado. São os concorrentes que acertaram um número maior de perguntas.

Veja o texto abaixo publicado na Folha.

Escola privada amplia domínio na Fuvest
FÁBIO TAKAHASHI, SIMONE HARNIK

O número de aprovados da rede particular no vestibular deste ano da Fuvest é o maior desde 2001, apesar das iniciativas tomadas pela fundação e pela USP para tentar aumentar a proporção de alunos da escola pública na universidade.

No processo seletivo 2006 da Fuvest –que seleciona para a USP, Santa Casa e Academia do Barro Branco–, 73,2% dos chamados para a matrícula fizeram o ensino médio integralmente em colégios particulares. O número é o maior desde 2001, quando foi de 74,1%. Em 2005, ficou em 71,9%.

Apesar de a variação percentual no período ser relativamente pequena, isso mostra que as políticas de inclusão social adotadas até agora tiveram pouco efeito.

De 2001 para cá, a USP criou um campus na zona leste da capital paulista (inaugurado em 2005), o que aproximou a universidade de uma região de baixa renda.

Além disso, a Fuvest aumentou de 10 mil para 65 mil o número de isenções da taxa de inscrição no vestibular (neste ano, custou R$ 105, incluindo manual).

Com isso, a proporção de inscritos provenientes da escola pública subiu 8,2%, entre os vestibulares 2005 e o 2006. O crescimento, porém, não resultou em mais aprovações desses alunos –houve queda de 7,9%.

“A única maneira de explicar esse fenômeno é estimar que o nível da escola pública continua caindo”, diz o coordenador da Fuvest, Roberto Costa.

Atualmente, 85% dos estudantes do ensino médio do Estado cursam a rede pública, mas em geral eles são menos de 30% dos aprovados na USP.

Cotas

Para Thiago Tobias, assessor da ONG Educafro, a única forma de aumentar a inclusão seria com a adoção de ações afirmativas, como as cotas –medida que a universidade entende que pode baixar seu nível de ensino.

O coordenador do MSU (Movimento dos Sem Universidade), Sérgio Custódio, critica a prova de inglês da Fuvest. “Ela tem um nível de doutorado, sendo que está trabalhando com alunos que possuem nível do verbo “to be”.”

Vanessa Cristina de Alvarenga, 20, foi um dos vestibulandos que conseguiram isenção, mas não foram aprovados. “A prova é muito difícil, com coisas próprias pra cursinhos. Tem muitas pegadinhas, é aquela velha decoreba. No fim das contas, é um vestibular que é medido por condições financeiras e exclui de toda a forma os alunos da rede pública.”

9 anos para o ensino fundamental

Em mais uma medida daquelas “tampando-o-sol-com-a-peneira” o governo de Lula alterou o currículo do ensino fundamental para nove anos. A partir de 2007, as crianças vão se matricular na primeira série com 6 anos de idade em média, em vez de ingressar aos 7 anos.

Veja um trecho da matéria publicada no jornal Folha de S Paulo, que explica a diferença:

Na prática, a pré-escola passa a se chamar primeiro ano ou primeira série série e deixa de integrar o ensino infantil para fazer parte do ensino fundamental. Em conseqüência: o primeiro ano vira segundo, o segundo passa a ser o terceiro e, assim segue a lógica, até os alunos ingressarem na oitava série, batizada agora de nona série.”

Um dos motivos que gerou essa mudança é baseado numa pesquisa realizada pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), em 2003, que mostrou que “as crianças que chegavam à primeira série sem passar pela pré-escola tinham maior dificuldade de leitura do que aquelas que passaram pelo ensino infantil“, segundo a reportagem.

Lembrando que sim, é positivo termos as crianças sendo alfabetizadas mais cedo, terem contato precoce com a pré-escola, mas isso não é o suficiente para acreditar que essas crianças vão ser tão preparadas quantos as que saíram de escolas particulares.

É sabido que muitas escolas mantém uma única professora tomando conta de 3 séries ao mesmo tempo. Sim! Uma professora e três séries distintas em uma única sala de aula. Enquanto essas diferenças acontecerem, nem a inclusão de 50 séries do ensino fundamental no currículo vai melhorar a performance dos estudantes brasileiros.

Como ajudar na rotina escolar

…Um dicionário Aurélio novo custa cerca de 180 reais, e todo mundo sabe que o governo está cheio de programas que distribuem caderno e lápis para os alunos…

Como ajudar na rotina da escola é o tema da coluna Guia Veja, da jornalista Monica Weinberg, publicada nesta semana (VEJA 8/fev/2006).

O Brasil se destaca como um dos países onde os pais acompanham pouco a vida escolar dos filhos. O abismo piora quando comparado a países como Japão e Coréia do Sul. Essa deficiência é refletida no desempenho escolar das crianças, segundo os estudiosos.

A matéria dá algumas dicas para os pais, incentivando a participação nas tarefas que as crianças trazem para casa. Por exemplo:

- Garantir que não faltem em casa livros, dicionário e espaço tranqüilo para realizar o dever.

A revista Veja se esquece que a maior parte dos estudantes brasileiros estão em escolas públicas e que quase nenhum deles tem esse suporte de livros em casa - falta de dinheiro é o principal motivo. Um dicionário Aurélio novo custa cerca de 180 reais, e todo mundo sabe que o governo está cheio de programas que distribuem caderno e lápis para os alunos, sem esse programas eles não teriam onde escrever o que vêem na lousa. Comprar dicionários, mesmo em sebos está fora de cogitação.

Se pelo menos os tivessem em suas bibliotecas, mas nem isso os estudantes podem contar. A maior parte das bibliotecas de escolas públicas têm pouquissímos exemplares de bibliografia básica.
- Mostrar-se entusiasmados em relação às tarefas dos filhos. Tornar o dever uma atividade prazerosa.

- Ao ter ajuda requisitada, apenas dar sugestões de como resolver a questão e não entregar a resposta.

Nestas duas sugestões, também encontramos uma barreira para os alunos mais de redes mais pobres. Seus pais em geral tem grau de instrução tão baixo que não podem ao menos acompanhar as matérias das séries fundamentais. Não podem ajudar um filho corrigir a ortografia de uma palavra, porque em geral não conhecem.

Quem conhece o trabalho com crianças da rede pública sabe que essas sugestões são irreais, embora tenham um valor comprovado. Quero ver sugestões de como estimular um aluno que não tem suporte nenhum em sua casa.

Uma escola de lata a menos

Desde que o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1996 -2000) resolveu construir escolas de lata para aumentar o número de vagas, só agora estão sendo trocadas por alvenaria.

Isso significa que aproximadamente 10,8 mil crianças assistiram aulas em escolas de paredes de lata, que além de acularem sujeira, são como estufas de tão quentes.

No ano passado, foram substituidas 20 escolas de lata por alvenaria. Ontem, mais uma escola de lata deixou de existir, em Pirituba. Um vexame a menos. Ainda faltam 30…

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