Pedagogia do afeto

Cuidado com as idéias que são convenientes a nossos governantes.

Época de eleição. Somos obrigados a engolir as promessas de quem está lutando pelo poder.

O candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, José Serra, já anunciou que em seu governo dará atenção especial para a educação.

Uma pergunta que gostaria de fazer é: “Senhor candidato, você vai dar atenção fazendo investimentos financeiros ou apenas mandando a escola agir com amor?”.

Parece loucura essa pergunta, mas o Secretário da educação de São Paulo, Gabriel Chalita, propunha a “Pedagogia do amor”, que consiste - a grosso modo - em educar pelo afeto, conquistar a disciplina pela confiança, carinho. Ok, amor é necessário, mas que tal contratar mais funcionários, mais professores, criar laboratórios de informática com instrutores…

Em entrevistas recentes que fiz com professores, para realizar um trabalho na licenciatura, uma mestra reclamou que não podia levar os alunos para uma aula em laboratório de ciências porque não tinha um técnico de laboratório, não tinha material, não poderia dividir a turma. Ou seja sem condições de trabalho. “Tenho 50 minutos para preparar o laboratório, limpar da outra turma, arrumar o novo material e ainda dar aula prática para outros 40 alunos. E tudo isso sozinha”, disse a professora de ciências. “A estrutura que temos hoje nas escolas é um faz de conta que alguém ensina e outro faz de conta de que alguém aprende. Aqui na escola tem um diretor, uma merendeira e uma faxineira, além das professoras. Nem gente na biblioteca tem”, contou um diretor.

Amor é bom, mas a educação precisa também de verbas. Gostaria de deixar um trecho de um texto da professora Dra. Denise Trento Souza, em “Formação contínua de professores e fracasso escolar: problematizando o argumento da incompetência”.

“Aqueles que definem as políticas educacionais e elaboram os programas educacionais parecem tomar emprestadas do universo da literatura academica apenas as idéias e análises mais convenientes, que lhes serão politicamente mais vantajosas, tipicamente aquelas que auxiliarão o desenvolvimento de ações de maior visibilidade para o público em geral, em benefício do governo do momento.”

Artistas querem música no currículo escolar

Neste painel foram debatidos a educação musical e a democratização do acesso dos artistas às rádios

Enquanto alguns músicos colaboram com a velha prática do pão e circo, outros estão debatendo a importância da música na formação dos brasileiros.

Leiam abaixo o texto da repórter Cristiana Saraiva.

A Câmara dos Deputados realizou no dia 30 de maio, em Brasília, um Seminário para debater a Música Brasileira. O Evento, realizado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e coordenado pelos deputados Chico Alencar, Gustavo Fruet, Antonio Carlos
Biscaia e José Eduardo Cardozo, fez parte de um primeiro movimento no sentido da criação de uma Frente Parlamentar Pró-Música, que deverá ser oficializada em breve.

O Seminário é parte do esforço de artistas, músicos, compositores e entidades ligadas à música em geral – desde seu aspecto empresarial, como a ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), ao caráter social, como a Rede Social da Música - de ocupar um espaço na agenda política do País. O Seminário foi aberto pelo Presidente da Câmara Aldo Rebelo, que, ao lado dos cantores Ivan Lins e Fernanda Abreu, falou da importância da música para o país, e ainda defendeu fortemente à volta da música ao currículo escolar.

O primeiro painel teve a participação do Dep. José Eduardo Cardozo, do musicólogo Leonardo Sá, do publicitário Lula Vieira, do Secretário Executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, e ainda do comppositor Ivo Meirelles, criador do Funk´n Lata, que sensibilizou os presentes ao relatar sua experiência comunitária no Morro da Mangueira. A apresentação abrodou aspectos sobre identidade e inclusão social.

O segundo painel trouxe o mestre em música e educação musical Ricardo Breim, a Professora Caetana Juracy - representandodo Ministério da Educação -, a letrista Cristina Saraiva e o Dep. Gustavo Fruet. Neste painel foram debatidos a educação musical e a questão da radiodifusão no país, com especial destaque à necessidade de democratização do acesso dos artistas às rádos. Foram trazidos ainda pelo Dep. Gustavo Fruet os Projetos de Lei tramitando atualmente na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, da qual o deputado faz parte.

O terceiro painel reuniu o Presidente da ABMI Carlos de Andrade, a Professora de Relações Internacionais da UERJ Miriam Saraiva e o cantor Ivan Lins e abordou a economia da música, interna e externamente, além da questão da diplomacia cultural, com ênfase na necessidade de melhor aproveitamento desse recurso simbólico de poder para afirmação do País no cenário internacional.

Para fechar o Seminário, o último painel destacou a importância da música para o cidadão e o país, e o papel do Poder Legislativo para a transformação do setor, ressaltando alguns projetos de lei em tramitação na casa, de especial interesse para os músicos, como o PL 2838/89 que propõe alterar a legislação que rege a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB). Este painel contou com participação do músico e advogado Juca Novaes, da produtora Annelise Godoy e do estudioso de cultura popular Assis Ângelo, além do cantor Gabriel, O Pensador.

O Seminário teve o objetivo de iniciar um processo para inclusão da música na pauta política do país e representou um marco importante na luta dos músicos e entidades, evidenciando a complexidade e a extensão das questões que envolvem o setor, a força econômica da atividade, a necessidade de maior atenção do Estado. Agora, como próximo passo, está prevista a oficialização da Frente Pró Mùsica em evento a ser realizado na Câmara e o início dos trabalhos junto aos deputados (Cristina Saraiva).

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