Mudar para não mudar

Espera-se do professor outras competên- cias que possibili- tem a formação de crianças autônomas.

Nesta última eleição para o governo e São Paulo, José Serra, na época como canditado, apresentou a seguinte proposta - e que ainda está sendo debatida: “duas professoras na mesma sala de aula“. Uma professora “oficial” e outra “estagiária”:

SPTV: Nós temos uma outra questão seria em São Paulo, que é a questão do ensino, que é a baixa qualidade da educação. São Paulo foi reprovada em educação, nas provas Brasil, Saebe.

José Serra: Não chegou a ser reprovado, chegou a ter 7º, 8º lugar, que não corresponde. Não é reprovação, no sentido que não é abaixo da média do Brasil. Agora, tem que entender o seguinte, diferentemente dos Estados do sul, que são os que têm melhor situação, São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando, este é um problema. Houve uma expansão quantitativa muito grande do ensino. Agora eu acho que a gente deve olhar para frente e enfatizar a qualidade, o que eu fiz na prefeitura e vou fazer no Estado? Colocar duas professoras por sala de aula, no primeiro ano do ensino fundamental. Isso é crucial para que as crianças aprendam. Eu não quero nenhuma criança passando de ano sem aprender aquilo que deve aprender naquele ano. (entrevista na íntegra aqui).


Então, encontrei o depoimento abaixo perdido no cyberspace:

O Serra ex-prefeito de S. Paulo colocou estagiárias para ajudar as professoras. Divulgou que as escolas municipais tinham duas professoras por classe de primeiro ano para melhorar o ensino. As estagiárias recebiam 400 reais e o estágio assinado, não substituiam a professora que faltava. A classe não pode ficar com a estágiária. Ajudar a professora também não ajudavam. Não deu certo, e agora o Serra eleito governador quer repetir o que não deu certo. Silvano Milan de Souza de S.Paulo/SP.

Por que desenterrei o assunto

Lembrei-me desse assunto porque li uma entrevista na revista Nova Escola com a pesquisadora argentina Patrícia Sadovsky. Ela comenta o baixo desempenho dos alunos em testes internacionais como o PISA [Programa Internacional de Avaliação de Alunos] e afirma que isso só acontece porque não podemos ter mais a figura do professor “polivalente” no ensino fundamental. Ou seja, os tempos que uma professora daria aulas de língua, ciências naturais, matemática e ciências sociais chegou ao fim. A pesquisadora alerta a necessidade de professores especializados para ministrar as aulas nesse período escolar, crucial para que as crianças recebam uma sólida formação. Aqui um trecho do depoimento da pesquisadora:

“Há 40 anos, esperava-se que um professor de Matemática ensinasse cálculos. Hoje as calculadoras fazem essa tarefa e a sociedade espera desse professor outras competências que possibilitem a formação de crianças autônomas, capazes de ler diferentes formas de representação e de elaborar idéias para novos problemas, além daqueles abordados em sala de aula. Isso tudo requer um profissional com pleno domínio do conteúdo. A questão é que o profissional polivalente (que atua nos primeiros anos da Educação Básica) não tem oportunidade de adquirir esse domínio em quatro anos de formação. Essa é a realidade no Brasil, na Argentina e em outros países. É demais pedir que o professor compreenda a raiz conceitual de quatro áreas disciplinares, como a Matemática, a língua, as Ciências Naturais e as Ciências Sociais. É importante ter consciência de que não basta fazer um curso superior. É preciso investir na formação continuada.” (Patrícia Sadovsky, Nova Escola, fev/2007)

Na Inglaterra, essa transição do professor polivalente para o especializado acontece quando a criança está com oito anos de idade. Já por aqui, nossos governantes propõem para sociedade mudanças que não resultam em melhorias, apenas em gastos desnecessários. Contratar uma professora assistente em lugar de aumentar o quadro de professores especializados não contribui em nada com a educação. Só é a forma mais prática de garantirmos por um longo tempo nossa colocação de lanterninha nos testes internacionais.

O Ministério da Educação e a batalha política

Lula já admite a colaboradores próximos que Marta fará parte da administração.

Como já apareceu em diversos veículos na imprensa, o presidente Lula pretende passar a vaga de Ministro da Educação para Marta Suplicy.

Enquanto prefeita em São Paulo, Marta criou o projeto CEU (Centros Educacionais Unificados), muito famoso pelo fausto investimento e resultados que não teriam o mesmo volume. Os CEUs tinham 5% dos alunos e consomiam 40% da verba da educação. Podem me acusar de “repetir discurso tucano”, mas números são números.

Para quem prefere ler resultados práticos a números, em 2005, o jornal Valor Econômico publicou uma análise dos CEUs, que tinha depoimento de Roberto da Silva, professor da faculdade de Educação da USP:

“Antes a comunidade ajudava a elaborar o regimento e isso acabou. Muitas propostas de inclusão social não saíram do papel. O CEU não atuou como núcleo articulador da comunidade. Do jeito que está, a população limita-se a ser mera usuária, não participa das decisões”.

O professor Roberto da Silva receia que os centros educacionais se transformem em clubes da periferia… “Temo que absorvam a parte cultural dos CEUs e que usem as salas de arte para aula, para dobrar a capacidade de receber alunos. Não podem transformá-los em clubes da periferia. A concepção era de desenvolvimento das comunidades locais”.

E no fim das contas o projeto CEU foi o que a prefeita fez de mais significativo pela educação da cidade mais rica do país.

No entanto, O que acontece de mais escandaloso é que o Ministério da Educação será passado a Marta Suplicy não por suas qualidades de gestora educacional, nem como filósofa do ensino, muito menos como boa administradora dos recursos públicos. Ela será Ministra da Educação porque:

Nas conversas reservadas, o PT bate o pé pela nomeação de Marta para a pasta de Educação ou Cidades por uma razão simples: ambos os ministérios têm recursos expressivos para investimentos. De quebra, o partido construiria uma forte candidata para a sucessão de Lula, em 2010. (Veja 22 de fevereiro, 2007)

Todos sabemos que o PT teria nomes bem melhores para indicar ao cargo. E mais uma vez, a educação fica em segundo plano no meio da guerra do poder.

Leia mais em:

Ministério da Educação virou pastelaria - Paulopes Weblog

Educação vira moeda política no Governo Lula - Acerto de Contas

Grupo do PT espera pela indicação de Marta Suplicy para a Educação - Folha de São Paulo

João Hélio, desculpe nossa indiferença

Caso João Hélio. Fico pensando se mais alguém gostaria de linchar esses bárbaros. Tenho vontade de linchá-los, mesmo que seja uma atitude anti-direitos humanos. Engraçado é falar em direitos humanos para esses monstros.

“O delegado titular afirmou que os bandidos sabiam que o menino estava preso ao carro e tentaram se livrar dele fazendo movementos de ziguezague com o veículo”, diz jornal O Globo.

Alguém acredita que esses bárbaros que cometeram esse crime podem ser soltos e um dia viverem em paz com a sociedade?

Como disse Hynkel em seu blog, faço de suas palavras as minhas:

PERDÃO JOÃO HÉLIO FERNANDES, EU TENHO CULPA. POR SER BRASILEIRA, POR PAGAR IMPOSTOS, POR CORROBORAR COM A CORRUPÇÃO POLÍTICA E POR NÃO TER PODER PARA LUTAR CONTRA A OPRESSÃO QUE SOFREMOS DIARIAMENTE.

Sim, somos todos cúmplices, como disse Jorge Serrão.

Mais blogs que se manifestaram sobre o assunto, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui.

Medindo a qualidade da escola básica

O desempenho dos estudantes brasileiros de Ensino Médio piorou em duas avaliações diferentes - ENEM e Saeb.

Entre as notícias das melhores folias carnavalescas e do dolce far niente na nossa justiça, os jornais apresentam também os resultados e análises das provas dos vestibulares do país. O jornal carioca O GLOBO soltou a matéria “Cai desempenho de estudantes do Ensino Médio“, no dia 7, referente às notas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Vamos falar sobre o ENEM. Quem visitar o site do INEP vai saber que o exame “tem como objetivo principal avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania.”

Portanto, o ENEM não é uma prova competitiva como um vestibular. Não está cheio de pegadinhas para eliminar alunos que decoraram menos fórmulas. Segundo o INEP, “A estrutura do Exame tem como base uma matriz com a indicação de competências e habilidades associadas ao conteúdo do Ensino Fundamental e Médio que são próprias ao sujeito na fase de desenvolvimento cognitivo, correspondente ao término da escolaridade básica”.

Leia o trecho, retirado da matéria do jornal gaúcho Zero Hora:

No Enem 2006, aplicado em 2,8 milhões de alunos, a média nacional da prova objetiva foi de 36,9 pontos, na escala de 0 a cem - ante 39,41 de 2005. O Rio Grande do Sul liderou o ranking de melhor desempenho na prova objetiva. Ainda assim, a nota média foi de 39,63 - abaixo de 40 pontos. Na redação, a média nacional caiu de 55,96 para 52,08. O MEC esclarece que os resultados do Enem não podem ser comparados de um ano para o outro, pois o teste é voluntário e não segue padrão de amostra. Ainda assim, a média inferior a 40 pontos na prova de 63 questões objetivas preocupa especialistas.

Ok, o exame é voluntário. Todos sabem que quem se interessa por prestar o ENEM são pessoas que querem utilizar a nota como complemento para notas em vestibulares em Faculdades públicas e privadas. Acredito que, embora os “especialistas” digam que os testes não avaliam a educação e que não podem ser comparados, sim os resultados do ENEM são uma amostra alarmante da qualidade das nossas escolas.

A volta dos que não foram

Oi amigos!

Pensei se deveria escrever um post explicando o por quê de tantos meses sem um novo post. Meus 18 assinantes de feed merecem uma satisfação! Por outro lado lembrei: tantas pessoas somem nesse mundo digital, ninguém se comove mais com um blog desatualizado, voltar à francesa seria uma boa tática…

Fiquei off porque estava passeando pelo velho mundo. Aquele popular sonho de viajar com uma mochila nas costas. Aliás, viajar era o sonho, carregar a mochila nas costas foi conseqüência. Claro que eu preferiria carregar minhas bagagens num taxi e ir direto para um hotel 5 estrelas ao invés de colocar uma mochila de 15 quilos nos ombros e me hospedar em Albergues da Juventude. Hehehe…

Como eu dizia, estava passeando e ninguém merece ficar em frente ao computador perdendo as maravilhosas tardes acinzentadas de Londres. Afinal, a vida - ainda - corre lá fora. Oh yeah, eu consegui me desconectar por 4 meses. E quer saber? É bom e todo mundo deveria tentar! rs… Só uma dica - leve sempre um guia tipo Lonely Planet, é um peso que vale muito a pena carregar.

Passe por aqui na sexta-feira e confira as novidades!

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