Meu aluno me achou no Orkut!

E agora, mestre? Você está no Orkut, tem um perfil engraçadinho e se cadastrou nas comunidades mais hilárias do incrível site azul do Google. E, de repente, um convite para adicionar “Joselito Da Silva Sauro”, seu aluno.

“Deletei meu Orkut e criei um novo perfil só para despistar meus alunos e manter contato com os amigos. A criançada chegava me dizia em classe:

- Professora, eu sei que você tem 24 anos!
- Professora, sei o nome do seu namorado!
- Professora, eu sei que você gosta de massagem tântrica
E eu perguntava: - Ah, é? Quem te disse?
- Seu Orkut, respondia o garoto”.

Uma amiga me contou isso ontem e não foi a primeira vez que ouvi esse tipo de reclamação de minhas colegas professoras.

Você, que tem um perfil em sites de relacionamentos, já passou por isso? Como lida com a curiosidade dos alunos com sua vida pessoal?

Contos da Escola no Vivência Pedagógica e no Netvibes

Só hoje me dei conta do por quê que recebo tantas visitas oriundas do site Vivência Pedagógica. Este blog está cadastrado entre os feeds agregados. VIVA!!!

Fiquei muito feliz, afinal o site é referência no assunto Educação e só tem gente de peso no expediente.

Uma dúvida ficou no ar: deveria eu compartilhar o meu orgulho com meus leitores ou ficar quieta para o pessoal do Vivência não se lembrar que um dia registrou por engano meu site? Iriam deletar meu feed após o alarde? Resolvi correr o risco e me expor!

Então, está aí o print-screen provando que o Contos da Escola está entre os sites agregados do Vivência Pedagógica:

Contos da Escola no Vivência Pedagógica

[atualização 28.03]O André do Futuro Professor me contou que a versão local do Netvibes traz nossos blogs como sugestão de leitura na entrada Educação! UEBA!!! Estão lá também o Leitura e Escrita na Escola e o Vivência Pedagógica. Mais um print-screen para mostrar.
Contos
[/atualização 28.03]

BarCamp: quero minhas duas horas de vida de volta

Gente, o que foi esse BarCamp!? Ninguém me avisou que seria uma conferência de blogueiros distribuindo “achismos” sobre internet.

O site do evento diz que se trata de um encontro de discussões, demonstrações e interação direta entre os participantes sobre a web; uma “desconferência”, seja lá o que isso signifique. Mas o erro foi meu (de me inscrever), claro. Afinal, em lugar nenhum estava escrito e prometido que seria um debate frutificante sobre internet, com pessoas que têm embasamento, trabalham na área, sobrevivem disso, pesquisam, estudam. Enfim, gente que trouxesse dados e que pudesse gerar uma conversa interessante. Quem detém esse conhecimento ficou em casa ou calado nas salas da Cásper Líbero.

Eu - que nada sei - estava bege de tanto ouvir de abobrinhas. Em cada uma das salas havia uma figura que chegava perto de ser um “mediador”. Este pouco ajudava quando a conversa escapava para um assunto, como por exemplo “SEO e ganhos com AdSense” em sala de Jornalismo Online. Naquele mesmo lugar, havia dois professores universitários especializados em Jornalismo Digital que não puderam compartilhar seu conhecimento sobre “textos para web” porque três moços monopolizaram a conversa no nível “eu adoro meu site… porque no meu blog…” . Não deu outra, todo mundo foi embora.

Entendam, eu não quero censurar ninguém e todos têm direito a dar suas opiniões, mas quem são esses que querem MONOPOLIZAR OS DEBATES sem trazer dados reais e plausíveis? Humildade, minha gente, humildade. O melhor é que esses mesmos já lançavam suas edificantes opiniões menos de 15 segundos depois de adentrarem as salas - antes encontrar uma cadeira para se sentar, eles já retrucavam o que (mal) ouviam. É claro que esse pessoal vai “postar” entre hoje à noite e amanhã que o evento foi demais, abordou as novas tendências da web e lorem ipsum dolor sit amet.

Por essas e outras que vamos continuar reclamando que trabalhar com a web não dá dinheiro; vá a um encontro de médicos para ver se eles têm coragem de abrir a boca a outro profissional se não tiverem CERTEZA do que dizem: mostram dados, planilhas, pesquisas que comprovem o que estão defendendo. O mesmo não acontece com os profissionais de web em São Paulo. O “achismo” é algo enraizado em nossa cultura, como se vivessemos de filosofia de buteco, de bar. Bar? Ops…

Minha sugestão: essa tal de “desconferência” deve ter uma moderação mais atuante, que domine o assunto proposto e, principalmente, que saiba abater de forma certeira os ACHISTAS de plantão que adoram fazer monólogos e inibem os poucos que realmente têm algo a dizer. Senão, fica parecido com o projeto Rumos, do Itaú Cultural, que leva o Washington Olivetto pra falar de música. Bom, lá pelo menos tem coquetel na faixa. :-)

P.S. 1: Sim, isso é um desabafo.
P.S. 2: Como me falou o André: - Débora, você queria aprender alguma coisa hoje aqui? - respondi que sim. Ele mandou: - Compre um livro!

Mission completed

Finalmente terminei a migração de servidor do blog. Foi bastante difícil mover os meus arquivos do WordPress via “Export” e aconteceram seis tentativas fracassadas - os números das entradas dos posts não estavam sendo mantidos, chegavam apenas 30 posts… Terça-feira à tarde, eu “chorei” para o André (que escreve o FUTURO PROFESSOR) e ele me ajudou a colocar o Contos da Escola no ar novamente - e ontem deu também um “tapa no layout”. Obrigadíssima, André! :-)

Neste novo servidor, eu divido a hospedagem virtual do blog com dois amigos da vida real: o Anderson - que escreve o Som no Blog muito antes de eu criar esse site, e a Alessandra - que vai estrear um blog por insistência minha. O Sonny escreve sobre música e cultura pop e está antenado com todos os tipos de novidades - geeks, bandas undergrounds, bandas do brit-pop que vão salvar o rock, melhores sites etc. A minha amiga Alê é advogada especialista em direitos do consumidor e tem a mania de notar irregularidades em propagandas, serviços, contratos. Claro que isso tinha que virar um blog, né?

Redação na escola: incentive o aluno a pensar

Quem nunca recebeu uma redação (escolar ou não) vazia de significado e que, ao terminar a leitura, não foi capaz de entender o que o autor quis dizer? Você, que presumiu que os alunos soubessem se expressar por texto, agora tomou esse susto. Recebeu um monte de palavras no papel. Como fazer o estudante recuperar/adquirir a capacidade de discursar pela escrita?

Vamos pensar nos grandes escritores. Camões pediu às ninfas do rio Tejo (as Tágides) que elas o ajudassem na empreitada de cantar as glórias de seu povo. “Cantando espalharei por toda parte/Se a tanto me ajudar o engenho e arte”, disse o poeta no Canto I de Os Lusíadas. Arte não é todos que podem, mas engenho é pra quem quer. Escrever é um trabalho duro de revisão, reescrita, reestruturação de texto. É incrível como ainda tem gente que pensa que escrever é APENAS sentar-se diante de uma folha de papel e “deixar a imaginação solta”.

Hoje, o principal problema apresentado em redações escolares pode ser resumido assim: o aluno não sabe pensar o texto como uma conversa. E o erro está no modo que a redação foi um dia introduzida em sua vida. Quem nunca ouviu a professora orientar a divisão da redação “Introdução/Desenvolvimento/Conclusão”? Sem explicar o por quê da famosa fórmula, as regras tornaram-se engessadoras da produtividade.

Seria mais fácil mostrar ao aluno que a redação é discurso, conversa, é necessário apresentar uma idéia e debatê-la com leitor. E para isso é preciso reescrever muitas vezes um texto, ter [algum] conhecimento no assunto debatido, lê-lo em voz alta, apresentar para que outra pessoa o leia e aponte o que não ficou claro. No final das contas, ensinar o aluno a argumentar é o mesmo que ensiná-lo a PENSAR!

E olha que tem gente que perde tempo pensando que o “miguxês*” é o maior problema das nossas redações. (*miguxês - linguagem usada para comunicação informal em chats, orkut, bilhetinhos; escrita que utiliza sons da língua portuguesa. ex. “miguxo amu todos vo6! beijaum! s2″.)

Durante esse mês e o próximo vou publicar no blog resenhas de livros que são referência no assunto Redação Escolar. Eu sei que há muitos livros mais recentes sobre o mesmo tema, mas esses selecionados são alguns dos autores que realmente leram e entenderam os grandes filósofos da linguagem, como Saussure, Bakhtin entre outros.

Quem quiser se adiantar para o debate, os livros são:

Problemas de Redação - Pecora, Alcir

A Redação na Escola - Franchi, Egle Pontes

Como um romance - Pennac, Daniel

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