Gente, o que foi esse BarCamp!? Ninguém me avisou que seria uma conferência de blogueiros distribuindo “achismos” sobre internet.
O site do evento diz que se trata de um encontro de discussões, demonstrações e interação direta entre os participantes sobre a web; uma “desconferência”, seja lá o que isso signifique. Mas o erro foi meu (de me inscrever), claro. Afinal, em lugar nenhum estava escrito e prometido que seria um debate frutificante sobre internet, com pessoas que têm embasamento, trabalham na área, sobrevivem disso, pesquisam, estudam. Enfim, gente que trouxesse dados e que pudesse gerar uma conversa interessante. Quem detém esse conhecimento ficou em casa ou calado nas salas da Cásper Líbero.
Eu - que nada sei - estava bege de tanto ouvir de abobrinhas. Em cada uma das salas havia uma figura que chegava perto de ser um “mediador”. Este pouco ajudava quando a conversa escapava para um assunto, como por exemplo “SEO e ganhos com AdSense” em sala de Jornalismo Online. Naquele mesmo lugar, havia dois professores universitários especializados em Jornalismo Digital que não puderam compartilhar seu conhecimento sobre “textos para web” porque três moços monopolizaram a conversa no nível “eu adoro meu site… porque no meu blog…” . Não deu outra, todo mundo foi embora.
Entendam, eu não quero censurar ninguém e todos têm direito a dar suas opiniões, mas quem são esses que querem MONOPOLIZAR OS DEBATES sem trazer dados reais e plausíveis? Humildade, minha gente, humildade. O melhor é que esses mesmos já lançavam suas edificantes opiniões menos de 15 segundos depois de adentrarem as salas - antes encontrar uma cadeira para se sentar, eles já retrucavam o que (mal) ouviam. É claro que esse pessoal vai “postar” entre hoje à noite e amanhã que o evento foi demais, abordou as novas tendências da web e lorem ipsum dolor sit amet.
Por essas e outras que vamos continuar reclamando que trabalhar com a web não dá dinheiro; vá a um encontro de médicos para ver se eles têm coragem de abrir a boca a outro profissional se não tiverem CERTEZA do que dizem: mostram dados, planilhas, pesquisas que comprovem o que estão defendendo. O mesmo não acontece com os profissionais de web em São Paulo. O “achismo” é algo enraizado em nossa cultura, como se vivessemos de filosofia de buteco, de bar. Bar? Ops…
Minha sugestão: essa tal de “desconferência” deve ter uma moderação mais atuante, que domine o assunto proposto e, principalmente, que saiba abater de forma certeira os ACHISTAS de plantão que adoram fazer monólogos e inibem os poucos que realmente têm algo a dizer. Senão, fica parecido com o projeto Rumos, do Itaú Cultural, que leva o Washington Olivetto pra falar de música. Bom, lá pelo menos tem coquetel na faixa.
P.S. 1: Sim, isso é um desabafo.
P.S. 2: Como me falou o André: - Débora, você queria aprender alguma coisa hoje aqui? - respondi que sim. Ele mandou: - Compre um livro!
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