Áudio para os meus leitores

O filme Vermelho Como o Céu entrou no circuito de cinemas em São Paulo na semana passada. Uma dica para os educadores é assistir a essa película italiana, porque durante duas horas você será obrigado a pensar na questão da inclusão.

Mirco, o protagonista e inspirador do filme, é uma criança que ficou cega depois de um acidente com a espingarda do pai. Seus pais são obrigados a retirá-lo da escola pública e levá-lo a uma instituição que educa crianças deficientes visuais.

Fique atento ao modo que o filme retrata a escola. Nossa sociedade costuma estigmatizar pessoas com necessidades especiais, como se fossem menos capazes ou limitadas. Não foi diferente na escola que o menino Mirco precisou freqüentar após perder a visão. O diretor do instituto mostra que não acredita no potencial das crianças que cuida.

Assista ao filme e lembre-se que esse preconceito nas escolas não está restrito apenas a crianças como Mirco, isso abrange todos os marginalizados de nossa sociedade.

Aproveito o post para falar que estou testando o RoboBraille sugerido pelo Henrique do blog Revolução ETC. A idéia do site é que robôs transformem seus textos em arquivos de áudio e também em braille. Já existe a opção em português de Portugal. Soa bastante estranho para nós, mas é o que temos por enquanto.

Os próximos textos de Contos da Escola vão disponibilizar uma versão em áudio e em breve em braille (ainda não tive sucesso na conversão. Nos primeiros testes, meus arquivos foram corrompidos por culpa da formatação). Vou mandar os posts anteriores aos poucos para a “tradução”. Essa medida vai dar um pouco mais de acessibilidade para este blog.

Sobre o RoboBraille, o que posso dizer por enquanto é que as pontuações do texto não são muito bem lidas pelo robô.

O melhor é que é muito fácil de usar. Aposto que daqui a pouco vai ter alguém que faça um plugin para que o WordPress faça a tradução automática, no momento da publicação!

Contos da Escola em Digestivo Cultural e Carta na Escola

Um dos melhores sites de cultura, o Digestivo Cultural divulgou uma nota em seu blog “Sobre Contos da Escola”. A seguir, o print-screen do post:

Digestivo Cultural

Espere que tem mais…

A revista Carta na Escola fez uma matéria sobre blogs educativos e o Contos da Escola apareceu! A matéria, publicada na edição 14 - página 62, recomenda também Leitura e Escrita na Escola, Blogosfera M@rli, Lousa Digital e o site coletânea de edublogs Internet e Web na Educação. Clique na imagem abaixo para ler toda a reportagem!

Carta Na Escola

MUUUUITO OBRIGADA!

Quem te ensinou a gostar de ler?

Respondendo a pergunta do post Semana de Livros e Leitores - 1, no blog Leitura e Escrita na Escola:

E você, como se tornou um leitor? Já pensou sobre isto? Conte aí.

Quero parabenizar a Fátima pelo texto que me emocionou. Em primeiro lugar porque ela contou uma história bonita demais, em segundo porque me identifiquei, lembrando que são as pessoas ao redor que nos estimulam a curiosidade.

Vamos à resposta:

Tinha oito anos de idade. Odiava ler. Achava os livros que a “tia” indicava muito chatos. Lembro que detestava particularmente os livros daquelas coleções de Pedro Bandeira, “A droga do amor“, “A droga da obediência“. Explico - a turma d’Os Karas, crianças de 10 anos prendendo traficantes nunca me desceu bem. Eu era realista, tinha oito anos, mal pilotava uma bike, imagine se eu teria capacidade de prender bandidos?! Quero deixar claro que muitos coleguinhas meus vibravam com os livros. Portanto, sentir-me imbecil diante daqueles livros era um problema meu!

Um belo dia, aos 11 anos, eu estava na casa da minha tia. Enquando ela e minha mãe conversavam na cozinha, folheei um livro de Lygia Fagundes Telles que estava na mesa de centro da sala. Era a coletânea de contos “Antes do Baile Verde“. Comecei justamente pelo conto “Venha ver o pôr-do-sol”. Esse texto me trouxe a esperança que havia literatura feita para mim. Li um conto após o outro, foi um alumbramento… :-) Meu coração ficava na garganta. Finalmente! Pessoas reais, histórias reais! Descobri naquela época o que é até hoje a minha leitura favorita - contos realistas.

Perguntei na manhã seguinte para minha mãe o que ela poderia me indicar do mesmo gênero. Estava restrita ao que as pessoas indicassem. Queria viver cercada de livros que contassem histórias que poderiam ser minhas. E li mais e mais Lygia, li Clarice, li Machado. Na oitava série, descobri Guimarães e Mário de Andrade. E nunca mais parei de ler, seja bula de remédio, panfleto, bilhetinho, scrap no orkut, jornal, revista, blogs, sites, livros técnicos, livros de literatura, livros de fotografias…

Descobri tarde o gosto pela leitura, por isso gasto horas e horas do meu dia lendo, para recuperar o tempo perdido. ;-)

Não dá para ensinar ninguém a amar um livro, uma música, um quadro, uma peça. A falta de estímulo e o direcionamento errado podem condenar qualquer pessoa a detestar física, matemática, geografia. Não seria diferente com a literatura.

E você, como se tornou um leitor? Já pensou sobre isto? Conte aí.

Eu, 25 anos, pessoa jurídica

O número de Pessoas Jurídicas trabalhando em escritórios, agências, escolas, é crescente. Muitas vezes você não tem a opção de comprar nota de terceiros. Você TEM de ter sua própria empresa. Há ainda clientes que exigem que sua firma seja relacionada com os serviços que você vai prestar, senão a nota não será aceita.

As leis brasileiras do trabalho estimulam a informalidade nas empresas. Mas as coisas já estão chegando a um ponto absurdo. Tenha um CNPJ, pague um contador, pague impostos de empresa simples e pronto, pode começar a trabalhar.

A revista EXAME publicou uma matéria comentando isso: empresas de uma só pessoa. Estima-se que 66% das empresas registradas no Brasil são para essa finalidade. Por outro lado, não dá para culpar o contratante. Segundo a revista, o Brasil está entre os países do mundo onde o trabalhador mais custa para a empresa. Veja a tabela comparando o Brasil a outros países:

Os encargos sobre os salários pagos pelas empresas:

Brasil: 103%
França: 80%
Alemanha: 60%
Inglaterra: 59%
Estados Unidos: 9%
(fonte: revista EXAME 28 de março/2007)

Desabafo de freela que se recusa a abrir uma empresa para trabalhar! hehehe

Entrevista com Stewart Mader - Wiki in Education

Stewart Mader

Stewart Mader, organizador e escritor do wiki-book Wiki in Education, falou sobre o uso de tecnologias em sala de aula e os novos desafios dos professores. Confira a entrevista exclusiva concedida ao blog Contos da Escola:

- Leia resenha do livro Wiki In Education
- English version

Contos da Escola: Como a figura do professor se transforma na era digital?
Stewart Mader: Hoje, mais do que nunca, temos abundância de informação a fácil alcance. Conseqüentemente, o papel dos professores mudou, de uma fonte limitada de informação aos estudantes, para um orientador do uso de toda a informação que está disponível para qualquer assunto.

Qual é a diferença entre o uso do wiki e o uso do blog num projeto de educação?
SM: Um blog é útil para você se comunicar, indicar links para os estudantes, escrever sobre um artigo, uma notícia cujo assunto é relevante à aula etc. O wiki é bom para projetos em grupo, tendo o estudante o papel de escrever para que o professor leia e edite, enquanto o aluno desenvolve. É útil também para construir um registro freqüente daquilo que os estudantes fizeram em um curso. Por exemplo, você dá a cada grupo de estudantes uma página no wiki para desenvolver seu projeto principal. Então, mantém a página com o projeto final, e deixa estudantes do semestre seguinte verem o projeto dos alunos anteriores, para que esses desenvolvam seu próprio projeto ao lado dos precedentes.

- É possível professores que não se interessem por tecnologia terem sucesso no uso de wiki como ferramenta de trabalho?
SM: A pessoa tem de entender o valor do uso da tecnologia acima das dificuldades ocasionais, investir tempo para desenvolver tarefas colaborativas em seu wiki que sejam úteis aos estudantes, que tenham um propósito em um curso acadêmico. É preciso gostar de tecnologia e ser interessado em usá-la para gastar seu tempo e energia com isso. Há também um outro ponto de vista: Eu vi pessoas céticas mudarem de opinião após o uso do wiki. É simples, não requer muito tempo para aprender e os deixa rapidamente aptos a começar o trabalho, o que é importante. Assim, o wiki é visto como uma ferramenta que não demora a provar seu valor.

- O que leva um projeto de uso de tecnologia em educação falhar? Quais são os erros mais comuns que os professores cometem?
SM: A maior falha que já vi é usar a tecnologia como “um algo a mais” às maneiras tradicionais de ensinar. Ela necessita ser integrada inteiramente no curso e a participação tem que contar como crédito do mesmo para que seja bem sucedida.

- O relato de Deborah Torres em “Wikis in Academy” mostra que é um desafio introduzir o adulto para produzir conhecimento em conjunto de uma forma não-linear. É possível pensar que só teremos de fato educação conjugada com tecnologia quando professores mais jovens chegarem ao mercado de trabalho?
SM: Hmmm, este é um assunto delicado. Eu já ouvi este argumento e minha opinião é que a próxima geração já será proficiente e entenderá o valor, mas nós necessitamos educar a geração atual para que ela não apenas use a tecnologia, como entenda o que é necessário ser feito para ter um resultado eficaz.

- 79% da população do Brasil nunca acessou a internet, nem eventualmente. Isso poderá aumentar nossa defasagem no ensino já que os países desenvolvidos estão adiantados no uso das tecnologias em educação?
SM: Há cinco anos este fato aumentaria a diferença educacional, mas hoje em dia nem tanto. As ferramentas tecnológicas estão se tornando mais rápidas, mais baratas e muito simples de se usar. Wikis, por exemplo, é assim: barato e simples. Muitas pessoas, incluindo aquelas que nunca usaram Internet antes, vão achar fácil de aprender. O fato de que os países desenvolvidos estão à frente não importa muito, porque o wiki é uma tecnologia de nível simples, e é fácil para um país em desenvolvimento alcançar o mesmo nível com rapidez.

- É muito comum os alunos brasileiros copiarem o conteúdo da internet sem qualquer edição ou verificação. Isso acontece nos USA também? Como os professores de seu país estão lidando com isso?
SM: Isto acontece nos Estados Unidos, e muita gente vai dizer que a razão para isso é que os estudantes são preguiçosos. Eu penso que a razão real é que as atividades propostas não desafiam os estudantes o bastante, e eles reconhecem isso. Então, devolvem às atividades o mesmo respeito que receberam. Alguns professores penalizam os estudantes por copiar, mas eu acho que esse não é o ponto.

Por exemplo, se eu tiver de ler um capítulo para fazer um resumo, eu me sentiria entediado e desperdiçando meu tempo, afinal é a mesma coisa que cada estudante de minha classe vai fazer. Se fosse dado a esse mesmo capítulo uma página no wiki para que os estudantes pudessem escrever juntos o resumo, eu estaria muito mais animado, e provavelmente não copiaria da Internet. Eu poderia oferecer meus próprios pensamentos à discussão colaborativa. Esse tipo de atividade respeita minha contribuição intelectual, e me dá uma oportunidade de contribuir legitimamente.

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