O papel da riqueza econômica na vida escolar dos jovens

A professora da UFMG Maria Alice Nogueira fez uma pesquisa que vai contra a corrente do que dizem as pessoas (coisas maravilhosas acontecem quando alguém coloca à prova o senso comum) e em lugar de produzir mais um estudo sobre o fracasso escolar da população pobre, investigou se havia fracasso escolar entre alunos cujos pais são médios e grandes empresários em Minas Gerais.

No imaginário popular, as universidades públicas têm suas vagas preenchidas pelos “ricos”, graças à equação: Boas escolas particulares + apoio financeiro = maior oportunidade de ingressar em uma Universidade Pública.

O artigo Favorecimento Econômico e excelência escolar: um mito em questão fez a prova dos nove. Investigando a trajetória escolar de 23 estudantes entrevistados, a professora Maria Alice Nogueira descobriu:

Um pouco mais da metade do grupo investigado sofreu alguma reprovação ao longo da escolaridade básica (ensino fundamental e médio). Mais precisamente, 13 jovens foram afetados, perfazendo juntos um total de 19 reprovações.

[...] A defasagem acumulada no percurso não impedirá, no entanto, os jovens em atraso de ingressar no ensino superior. [...] Além disso, há também o fato de que a escolha da instituição de ensino superior recai sobre instituições privadas que se caracterizam por praticarem exames vestibulares menos seletivos e, na maior parte, pouco exigentes.

[...] Com relação especificamente ao vestibular da UFMG, 7 três quartos dos jovens tentaram (quase sempre, uma única vez), mas não obtiveram aprovação nesse vestibular. Quanto ao quarto restante, é razoável supor que, diante do alto grau de competitividade, jovens com preparo insuficiente, ou que assim se sintam, não se candidatam a esse exame vestibular.

A autora ainda complementa o dado com um estudo realizado por Simon Schwartzman, em 2004, com base nos dados do IBGE, prova que o estudantado do ensino superior privado apresenta renda familiar superior à do estudantado da rede pública.

O artigo também revela que 17 dos 25 jovens entrevistados exerciam atividade remunerada desde os 18 anos, e estavam matriculados nos cursos noturnos porque conciliavam trabalho e estudo.

Inclusão social no Rio de Janeiro

Acredito que sofremos de overdose de informação sobre educação. Porque essa é a única explicação justificar que diante de tantos textos, filmes, documentários, grandes mídias falando da educação como caminho para “inclusão social de milhares de brasileiros”, a educação como “base de tudo”, a educação é “a solução para tudo isso que está aí”. E aí? Overdose de debate é como debate nenhum. Aliás, será que estamos debatendo mesmo?

De qualquer forma, decidi aumentar o espaço neste blog para falar mais iniciativas que realmente transformam a vida das pessoas. E que sempre, de uma forma ou de outra, passam pelo tema da educação.

Vou falar hoje do que acontece com o Banco da Providência, no Rio de Janeiro. Fundado em 1959, por Dom Hélder Câmara.

Com o lema “Ajudando muita gente a não precisar mais de ajuda”, o banco desenvolve:

“Um programa que visa incluir socialmente famílias que se encontram abaixo da Linha da Pobreza. Atualmente atua em 59 comunidades de baixa renda e promove: capacitação da liderança local, formação de multiplicadores, identificação das vocações e possibilidades das comunidades para geração de renda e mobilização da rede de parceiros para a inclusão social.”

Banco da Providencia

A equipe do Banco da Providência viu que era necessário capacitar as pessoas para que elas pudessem trabalhar. Isso significa: ensinar a pessoa a entender o quanto custa sua matéria prima, seu tempo e seu trabalho para poder gerar renda e sustentar sua família. Ou então, dar alguma formação para que a pessoa faça algum tipo de trabalho no mercado formal.

Essa formação tem um custo: R$ 54,00 por família/mês. Por aí já vemos que o problema do Brasil não é dinheiro.

Quem levanta essa grana para que 900 famílias/ano sejam inseridas socialmente são as parcerias com instituições, iniciativa privada, a Feira da Providência e o Arraial da Providência. Além disso, sua ajuda é muito bem-vinda! Veja o site e como você pode ajudar.

http://www.providencia.org.br/

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