A importância de saber línguas estrangeiras
domingo, dezembro 4, 2011 19:15
O sonho de reunir todo o conhecimento da humanidade é recorrente. É um projeto que retorna com total força e determinação a cada nova tecnologia de armazenamento de informações que é descoberta. A primeira grande tentativa de se construir um depósito padrão de todo o conhecimento global foi a Biblioteca da Alexandria. A Biblioteca Real de Alexandria foi fundada pelo soberano Alexandrino Ptolomeu para reunir todos os conhecimentos produzidos pela cultura helênica (que já se encontrava em decadência política e social).
Muitos séculos depois, o filósofo Diderot e diversos outros pensadores iluministas decidiram, por sua vez, compilar todo o conhecimento da cultura moderna. Desta vez, não foi escolhido um local, mas sim uma obra, para que existisse a possibilidade de se difundir a mesma. Nasceu assim a Encyclopédie, uma gigantesca obra que compreende 33 volumes, 71 818 artigos e 2 885 ilustrações.
Por fim, o século XXI parece ter finalmente trazido os subsídios necessários para a realização de tal sonho de compilação. O advento da internet e do hipertexto tornaram o armazenamento e a divulgação do conhecimento mais econômica (em termos de custo e espaço) e rápida do que nunca. Com apenas um computador (ou gadget) conectado a internet e alguns toques nas teclas (ou na tela) o usuário pode ter acesso a conhecimentos de qualquer lugar do globo. Esses meios técnicos também alteraram a produção cultural. Se outrora, os poucos “iluminados” produziam (ou explicavam) a cultura para o consumo dos muitos “desprovidos de luz”, agora, todas as pessoas ligadas na internet são, de uma forma ou de outra, coautoras nessa imensa compilação da cultura e do conhecimento humano.
Porém, embora o acesso, armazenamento e transmissão de conhecimentos não apresentem limites, a obtenção dos mesmos pelo ser humano apresenta. Se o maior desses limites talvez seja o tempo (para consumir tamanha quantidade de cultura), o segundo talvez seja a linguagem.
Mais do que nunca vale o que disse Wittgenstein: “Os limites da minha linguagem determinam os limites do meu mundo”. Pois, mesmo com toda a evolução não se pode mudar o fato de que o pensamento é formulado em linguagem. Logo, toda a cultura também é escrita em linguagem. E só a um jeito de ampliar essas fronteiras: aprendendo línguas estrangeiras.
Se você mora em Goiânia e é apaixonado por música, inicie um curso de alemão em Goiânia e novas nuances se abrirão para você a cada nova audição da “Flauta Mágica”. Agora, se você é fanático por literatura, mora em Manaus, e acredita que a exatidão mnemônica de Proust merece uma exatidão semelhante na interpretação, faça um curso de francês em Manaus. Lembre-se, na era da internet os conteúdos e os locais não são mais limites, porém, as línguas desconhecidas ainda o são.