A vez da Educação a Distância em SP

quinta-feira, novembro 6, 2008 14:25

O Conselho Estadual de Educação (CEE) liberou 20% das aulas via Educação A Distância (EAD). Espera-se que as escolas que se proponham a utilizar a modalidade sofram fiscalização, para saber se estão simplesmente instalando uma ferramenta inútil - porém, mais barata do que manter os alunos em sala de aula - ou se estão se modernizando de fato.

Se sua escola estiver prestes a adotar a modalidade, leia umas dicas básicas de sobrevivência em um mundo virtual cheio de concorrentes infinitamente mais interessantes e atraentes que os softwares de EAD.

Seu planejamento

Para pensar o e-learning de sua matéria, aí vão algumas reflexões:

  • Qual o objetivo de estender meu curso pela internet?
  • Meus alunos têm acesso fácil a internet?
  • Quais atividades de meu curso poderiam ser realizadas pela internet?
  • Consigo integrar as aulas presenciais com as atividades on-line?
  • Quais serão as métricas para mensurar o sucesso de meu curso on-line?
  • Há ferramentas conhecidas que são parecidas com o que eu estou imaginando?
  • Terei tempo de monitorar e participar do curso on-line?

Na escola

Criando e adaptando um software para a realidade de sua escola

Nenhuma ferramenta de e-learning do tipo instale-e-use pode fazer milagre. Abaixo algumas dicas para que você adapte qualquer solução open source, proprietária ou crie uma ferramenta do zero, mas que funcione para sua realidade:

  1. O mercado online já tem muitos especialistas, pessoas dedicadas ao ofício de pensar soluções. Delegue a essas pessoas a responsabilidade de fazer seu software atingir os objetivos, afinal ninguém precisa saber tudo nessa vida.
  2. Contrate uma empresa especializada que possa produzir ou adaptar uma boa ferramenta para sua instituição de ensino, de acordo com a sua necessidade.
  3. Relembrando: talvez seu aluno use celular, use iPod, iPhone, Smartphones, Windows Vista etc. Não será fácil fazer uma ferramenta que proporcione uma experiência educativa inovadora. Daí a importância dos especialistas, ninguém quer um software que pareça do tempo das cavernas.
  4. Tenha o maior número de professores possível reunido na hora de fazer o briefing das necessidades da ferramenta. Às vezes o professor de história precisa de uma feature que o de matemática não precisa.
  5. Não desanime se em 5 reuniões vocês ainda não tiverem quase nada decidido.
  6. Cada professor deve levantar aspectos de seu curso que podem funcionar bem on-line.
  7. Conte com a ajuda de designers instrucionais para ter uma boa adaptação do conteúdo para a internet.
  8. Inspire-se web afora, não se limite a benchmarking de ferramentas de e-learning de mercado. Copie boas idéias presentes em sites sociais, como Orkut, Ning, Facebook.
  9. A empresa contratada para desenvolver a ferramenta deve justificar as escolhas e trazer números que comprovem a eficácia dessas escolhas. Ninguém compra absolutamente nada sem ver números, e não é sua escola que vai colocar o dinheiro naquilo que não funciona.
  10. Prefira desenvolvimento em linguagens bem disseminadas no mercado, como ASP.NET, PHP, MySQL, SQL. Ou você ficará refém da empresa se ela desenvolver a solução em um banco de dados cabuloso e desconhecido.
  11. Capacite os professores interessados em utilizar a ferramenta.
  12. Repito: sempre conte com a ajuda de designers instrucionais para ter uma boa adaptação do conteúdo do curso para a internet.
  13. Respeite os professores mais resistentes ao uso de plataformas on-line. Se a pessoa até agora não demonstrou interesse, não é você quem vai conseguir despertar seu gosto por máquinas.
  14. Contrate funcionários especialistas em internet para serem “donos” da ferramenta dentro de sua instituição de ensino. É bom saber fazer para saber exigir dos fornecedores.
  15. Os “donos” da ferramenta devem ser exclusivamente “donos” da ferramenta e não professores que vão gerir o projeto em seu tempo vago. Cachorro com muitos donos morre de fome. Esse é um erro MUITO comum.
  16. Monitore o desempenho e esteja pronto para fazer mudanças profundas na estrutura da ferramenta.
  17. Nenhum site fica estagnado, sem alterações, não espere que o seu seja o primeiro a conseguir essa façanha.

Para saber mais:

Heurísticas para o projeto de interfaces de treinamentos corporativos à distância, em Revista de Design de Interação – v. 01 n. 01 – 2008

Usabilidade e a padronização do e-learning, por André de Abreu

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5 Respostas to “A vez da Educação a Distância em SP”

  1. A vez da Educação a Distância em SP | PHP-Blog.com says:

    novembro 6th, 2008 at 2:34 pm

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  2. Suzana says:

    novembro 6th, 2008 at 7:33 pm

    Oi Débora

    Um dos meus desconfortos em relação às reações a esta notícia de que SP vai adotar os 20% EAD para o ensino médio é com a vinculação da EAD com sistemas de gerenciamento de ensino ou “ferramentas de e-learning”.

    Necessariamente a escola não precisa padronizar nada ou adotar soluções ‘gerais’. Aliás, penso que este assunto precisa ser discutido a partir daqueles que estão mais próximos da situação de ensino-aprendizagem, ou seja, alunos e professores. E, nesta discussão, deve entrar, também, as condições de tempo, espaço, carga horária, remuneração para atender este projeto.

    A partir de uma ampla discussão, todos os envolvidos poderão propor os re
    cursos, metodologias que melhor atendam seus objetivos. Assim, soluções gerais ficariam de fora num primeiro momento.

    Distribuir, descentralizar, projetos: acho que por aí que estes 20% possam ser implementados. Por exemplo: uma parte do meu trabalho com as equipes de basquete do colégio é feito online, por uma combinação de blog, lista de discussão, comunidade no orkut, mensagens instantaneas web e por telefone móvel. Eu não trocaria este meu sistema por uma plataforma Moodle (ou outro LMS) e iria questionar firmemente qualquer tentativa de enquadrar o meu trabalho numa proposta fechada e centralizada.

    Para pensar :)

    abraços!

  3. Suzana says:

    novembro 6th, 2008 at 7:35 pm

    em tempo: fiz uma breve provocação sobre este assunto no meu blog.
    http://www.gutierrez.pro.br/2008/11/insero-das-tic-no-trabalho-e-na-formao.htm

  4. Debora says:

    novembro 7th, 2008 at 8:48 am

    Oi Suzana!

    Em primeiro lugar, obrigada pelo comentário, acho que acrescentou muito a discussão!

    Estou ainda amadurecendo um texto sobre a padronização das soluções. Eu também tenho arrepios quando ouço isso. Espero que minha “aversão a padronização” tenha ficado clara em meu texto, uma das minhas maiores preocupações é que a padronização de ferramentas de EAD via internet traga resultados pífios para os envolvidos.

    Grande abraço!
    Débora

  5. adriano vieira santos says:

    janeiro 1st, 2009 at 7:25 pm

    ai sor gatto

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