Como ajudar na rotina escolar

domingo, fevereiro 5, 2006 21:07
Postado em: Fundamental, Notícias

…Um dicionário Aurélio novo custa cerca de 180 reais, e todo mundo sabe que o governo está cheio de programas que distribuem caderno e lápis para os alunos…

Como ajudar na rotina da escola é o tema da coluna Guia Veja, da jornalista Monica Weinberg, publicada nesta semana (VEJA 8/fev/2006).

O Brasil se destaca como um dos países onde os pais acompanham pouco a vida escolar dos filhos. O abismo piora quando comparado a países como Japão e Coréia do Sul. Essa deficiência é refletida no desempenho escolar das crianças, segundo os estudiosos.

A matéria dá algumas dicas para os pais, incentivando a participação nas tarefas que as crianças trazem para casa. Por exemplo:

- Garantir que não faltem em casa livros, dicionário e espaço tranqüilo para realizar o dever.

A revista Veja se esquece que a maior parte dos estudantes brasileiros estão em escolas públicas e que quase nenhum deles tem esse suporte de livros em casa - falta de dinheiro é o principal motivo. Um dicionário Aurélio novo custa cerca de 180 reais, e todo mundo sabe que o governo está cheio de programas que distribuem caderno e lápis para os alunos, sem esse programas eles não teriam onde escrever o que vêem na lousa. Comprar dicionários, mesmo em sebos está fora de cogitação.

Se pelo menos os tivessem em suas bibliotecas, mas nem isso os estudantes podem contar. A maior parte das bibliotecas de escolas públicas têm pouquissímos exemplares de bibliografia básica.
- Mostrar-se entusiasmados em relação às tarefas dos filhos. Tornar o dever uma atividade prazerosa.

- Ao ter ajuda requisitada, apenas dar sugestões de como resolver a questão e não entregar a resposta.

Nestas duas sugestões, também encontramos uma barreira para os alunos mais de redes mais pobres. Seus pais em geral tem grau de instrução tão baixo que não podem ao menos acompanhar as matérias das séries fundamentais. Não podem ajudar um filho corrigir a ortografia de uma palavra, porque em geral não conhecem.

Quem conhece o trabalho com crianças da rede pública sabe que essas sugestões são irreais, embora tenham um valor comprovado. Quero ver sugestões de como estimular um aluno que não tem suporte nenhum em sua casa.

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