Depredando dinheiro público

terça-feira, abril 11, 2006 21:36
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…75% das quase 900 escolas de ensino infantil e fundamental estão paralisadas total ou parcialmente.

Greve. Esta é a forma preferida da classe trabalhadora se manifestar, reivindicar melhores condições de trabalho e no trabalho. Em tempos difícieis, a greve não assusta muito os empregadores. Tanto que ela é amplamente usada em orgãos públicos, como metrô, escolas, onde o empregado não corre risco de ser demitido. Imagine se eu me recusar a trabalhar no escritório? Na mesma hora colocam outra pessoa.

Será que o brasileiro não poderia encontrar uma forma de manifestação que não depredasse tanto? Digo depredar porque a greve prejudica muita gente, mas não atinge o bolso de quem interessa. Os dias sem aula nunca serão devidamente repostos. O aluno vai ficar com aquela lacuna no aprendizado. O metrô parado não deixa o estado mais pobre. Deixa você na mão que precisa chegar às sete e zero no escritório.

Então, brasileiro, vamos copiar bons modelos. Fazer greve à moda européia - metrô parado, nunca mais! Vamos liberar a catraca para todo mundo! Escola sem aulas, nem pensar: dêem um tempo nas aulas de equação de segundo grau e ensinem economia doméstica, inclusive para os pais que puderem participar. Enfim, sejam criativos, manifestem-se, mas parem de depredar o dinheiro público.

Greve nas escolas municipais chega ao 15º dia [aqui, leia na íntegra]

SÃO PAULO - A greve dos professores das escolas municipais entra nesta terça-feira no 15º dia sem qualquer sinal de acordo entre Prefeitura e servidores. O Município endureceu o discurso na sexta-feira depois que sua proposta foi rejeitada pela categoria e comunicou que vai descontar os dias parados. Além disso, exige a volta dos professores às salas de aula para retomar negociação. Até a noite de segunda-feira, a greve estava mantida. Segundo o sindicato, 75% das quase 900 escolas de ensino infantil e fundamental estão paralisadas total ou parcialmente. (…) Os professores exigem aumento do piso salarial de R$ 509 para R$ 960 (para professores com ensino médio) e de R$ 615 para R$ 1.159 (com curso superior). Segundo a Prefeitura, o salário médio da rede é de R$ 2.371 e somente 6% dos 53 mil professores recebem o salário-base.

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