Escola privada amplia domínio na Fuvest
quinta-feira, fevereiro 16, 2006 21:16…uma família que tem renda de R$ 2 mil pode realmente pagar uma boa universidade particular com mensalidade de R$ 900?
Mais uma vez os “intelectuais” do país, mídia, professores, querem dar uma de Robin Hood. O discurso é o de sempre: tirar dos “ricos” e dar aos “pobres”.
Ao ser concluído mais um exame da FUVEST, o que era previsto se concretizou: a escola privada mais uma vez dominou as aprovações da FUVEST. E então os milionários do país mais uma vez entraram na tão sonhada USP? Os ricassos do país, aqueles que passaram na USP, segundo as estatíticas de 2005, 39,2% têm renda mensal familiar até R$ 1500. Somente 5,6% declararam que sua renda mensal familiar é superior a 10 mil reais.
Então, será que essas pessoas que freqüentam as listas de aprovados estão realmente roubando vagas de quem não pode estudar? Afinal, uma família que tem renda de R$ 2 mil pode realmente pagar uma boa universidade particular como a PUC que apresenta mensalidade em média R$ 900,00?
Todos têm direito de estudar e o critério da FUVEST exclui os alunos que estão menos preparados. Será que a FUVEST deveria rebaixar seus critérios ou as escolas públicas deveriam tornar seus alunos (85% dos jovens em idade escolar) realmente capazes de competir? Afinal, não é a prova da FUVEST que faz o aluno da escola pública ser reprovado. São os concorrentes que acertaram um número maior de perguntas.
Veja o texto abaixo publicado na Folha.
Escola privada amplia domínio na Fuvest
FÁBIO TAKAHASHI, SIMONE HARNIK
O número de aprovados da rede particular no vestibular deste ano da Fuvest é o maior desde 2001, apesar das iniciativas tomadas pela fundação e pela USP para tentar aumentar a proporção de alunos da escola pública na universidade.
No processo seletivo 2006 da Fuvest –que seleciona para a USP, Santa Casa e Academia do Barro Branco–, 73,2% dos chamados para a matrícula fizeram o ensino médio integralmente em colégios particulares. O número é o maior desde 2001, quando foi de 74,1%. Em 2005, ficou em 71,9%.
Apesar de a variação percentual no período ser relativamente pequena, isso mostra que as políticas de inclusão social adotadas até agora tiveram pouco efeito.
De 2001 para cá, a USP criou um campus na zona leste da capital paulista (inaugurado em 2005), o que aproximou a universidade de uma região de baixa renda.
Além disso, a Fuvest aumentou de 10 mil para 65 mil o número de isenções da taxa de inscrição no vestibular (neste ano, custou R$ 105, incluindo manual).
Com isso, a proporção de inscritos provenientes da escola pública subiu 8,2%, entre os vestibulares 2005 e o 2006. O crescimento, porém, não resultou em mais aprovações desses alunos –houve queda de 7,9%.
“A única maneira de explicar esse fenômeno é estimar que o nível da escola pública continua caindo”, diz o coordenador da Fuvest, Roberto Costa.
Atualmente, 85% dos estudantes do ensino médio do Estado cursam a rede pública, mas em geral eles são menos de 30% dos aprovados na USP.
Cotas
Para Thiago Tobias, assessor da ONG Educafro, a única forma de aumentar a inclusão seria com a adoção de ações afirmativas, como as cotas –medida que a universidade entende que pode baixar seu nível de ensino.
O coordenador do MSU (Movimento dos Sem Universidade), Sérgio Custódio, critica a prova de inglês da Fuvest. “Ela tem um nível de doutorado, sendo que está trabalhando com alunos que possuem nível do verbo “to be”.”
Vanessa Cristina de Alvarenga, 20, foi um dos vestibulandos que conseguiram isenção, mas não foram aprovados. “A prova é muito difícil, com coisas próprias pra cursinhos. Tem muitas pegadinhas, é aquela velha decoreba. No fim das contas, é um vestibular que é medido por condições financeiras e exclui de toda a forma os alunos da rede pública.”

Vinícius Factum says:
abril 30th, 2006 at 10:20 pm
Aqui estou em casa… Tb sou professor (informática). Apareça! Abs.