Exame curva de rio
quarta-feira, maio 24, 2006 14:17Depois de dias e dias sem escrever - férias :-) - estava buscando um tema interessante. E tema não faltou, claro. Ai, entre um ataque e outro do PCC a São Paulo, vem a notícia de que apenas 13% dos advogados que prestaram o exame da OAB-SP foram aprovados na primeira fase. Deu até desânimo.
Apenas 13% dos 22.197 bacharéis inscritos na primeira fase do 129º Exame de Ordem da seccional paulista da OAB foram aprovados. O resultado é parecido com o obtido no Exame 126, quando apenas 12% passaram pela primeira fase, um dos piores já obtidos na história da prova.
Lembrando que temos dezenas de carreiras possíveis em graduação, fico pensando: será que esse número se estende a todas as habilitações? Aposto que teríamos esse desempenho médio se outros cursos fossem avaliados.
E claro, mais uma vez, vemos esses dados absurdos e continuamos quietinhos.
No ano passado, vimos também um outro resultado pífio dos estudantes de direito. E o que fizeram as universidades? Aqui em São Paulo, uma delas teve coragem de fazer uma propaganda comemorativa que veiculou em diversas revistas e canais de TV dizendo: “60% dos estudades aprovados no exame da OAB-SP”.
Como assim uma universidade festeja 60% de alunos aprovados no exame? E os outros 40% que também pagaram mensalidade, o que aconteceu com eles? 40% é um número muito alto para ser deixado na fatia do “índice desprezível”.
Finalmente vemos que os alunos estão sozinhos, não existe sequer um orgão para controlar a qualidade dessas faculdades caça-níqueis. Então, aluno, entre na faculdade, esforce-se para pagar 40 mil reais por um curso, pagar por livros caros, por transporte e no final arrisque-se num exame que vai avaliar coisas que você não domina, embora a faculdade tenha te dado um diploma que garante que você é um advogado. Pelo menos, use seu diploma para processar a sua faculdade.
Bruno Kaneoya says:
maio 24th, 2006 at 2:40 pm
Oi Débora
eu acho que as férias são merecidas e espero que tenha aproveitado.
O assunto que abordamos é uma vergonha. Como é que pode uma coisa dessas!? As faculdades já deveriam formar os profissionais sem a necessidade de mais estudos para um segundo exame.
Mas se precisam disso, qual é a constatação? As faculdades estão pecando em algum lugar. Também acho que existe um pouco de parcela de culpa dos alunos.
Agora eu pensei em uma coisa. A academia tem como principal objetivo gerar conhecimento mas deve também formar os profissionais.
Que bom que voltou.
Beijos
Lino says:
maio 25th, 2006 at 11:24 am
Débora:
Não tenho dúvida que se um exame idêntico ao da OAB fosse feito nos outros cursos o índice de reprovação ficaria muito próximo deste.
Digo isso com a experiência de conviver com alunos - de Direito e de outros cursos - e constatar que, a cada período, as coisas pioram.