O papel da riqueza econômica na vida escolar dos jovens
quinta-feira, setembro 13, 2007 14:52A professora da UFMG Maria Alice Nogueira fez uma pesquisa que vai contra a corrente do que dizem as pessoas (coisas maravilhosas acontecem quando alguém coloca à prova o senso comum) e em lugar de produzir mais um estudo sobre o fracasso escolar da população pobre, investigou se havia fracasso escolar entre alunos cujos pais são médios e grandes empresários em Minas Gerais.
No imaginário popular, as universidades públicas têm suas vagas preenchidas pelos “ricos”, graças à equação: Boas escolas particulares + apoio financeiro = maior oportunidade de ingressar em uma Universidade Pública.
O artigo Favorecimento Econômico e excelência escolar: um mito em questão fez a prova dos nove. Investigando a trajetória escolar de 23 estudantes entrevistados, a professora Maria Alice Nogueira descobriu:
Um pouco mais da metade do grupo investigado sofreu alguma reprovação ao longo da escolaridade básica (ensino fundamental e médio). Mais precisamente, 13 jovens foram afetados, perfazendo juntos um total de 19 reprovações.
[...] A defasagem acumulada no percurso não impedirá, no entanto, os jovens em atraso de ingressar no ensino superior. [...] Além disso, há também o fato de que a escolha da instituição de ensino superior recai sobre instituições privadas que se caracterizam por praticarem exames vestibulares menos seletivos e, na maior parte, pouco exigentes.
[...] Com relação especificamente ao vestibular da UFMG, 7 três quartos dos jovens tentaram (quase sempre, uma única vez), mas não obtiveram aprovação nesse vestibular. Quanto ao quarto restante, é razoável supor que, diante do alto grau de competitividade, jovens com preparo insuficiente, ou que assim se sintam, não se candidatam a esse exame vestibular.
A autora ainda complementa o dado com um estudo realizado por Simon Schwartzman, em 2004, com base nos dados do IBGE, prova que o estudantado do ensino superior privado apresenta renda familiar superior à do estudantado da rede pública.
O artigo também revela que 17 dos 25 jovens entrevistados exerciam atividade remunerada desde os 18 anos, e estavam matriculados nos cursos noturnos porque conciliavam trabalho e estudo.
André Kenji says:
setembro 17th, 2007 at 10:09 pm
Débora
Vinte e três pessoas não são um universo de amostragem suficiente. E o problema não é tanto a falta de acesso dos pobres à Universidade, mas a falta de acesso dos pobres aos cursos mais disputados:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u14852.shtml
E demonstrar que a universidade privada é tão elitizada quanto a universidade pública não é grande progresso.
hernane says:
setembro 18th, 2009 at 9:16 am
Com o favorecimento econômico a seu favor, o jovem de classe média terá mais oportunidade de estudo. Mas tudo se resume em uma questão de empenho e força de vontade,todos conceguem quando querem fazer algo.
Faça o que puder, com o que tiver, onde estiver.