Pedagogia do afeto
segunda-feira, junho 26, 2006 10:47Cuidado com as idéias que são convenientes a nossos governantes.
Época de eleição. Somos obrigados a engolir as promessas de quem está lutando pelo poder.
O candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, José Serra, já anunciou que em seu governo dará atenção especial para a educação.
Uma pergunta que gostaria de fazer é: “Senhor candidato, você vai dar atenção fazendo investimentos financeiros ou apenas mandando a escola agir com amor?”.
Parece loucura essa pergunta, mas o Secretário da educação de São Paulo, Gabriel Chalita, propunha a “Pedagogia do amor”, que consiste – a grosso modo – em educar pelo afeto, conquistar a disciplina pela confiança, carinho. Ok, amor é necessário, mas que tal contratar mais funcionários, mais professores, criar laboratórios de informática com instrutores…
Em entrevistas recentes que fiz com professores, para realizar um trabalho na licenciatura, uma mestra reclamou que não podia levar os alunos para uma aula em laboratório de ciências porque não tinha um técnico de laboratório, não tinha material, não poderia dividir a turma. Ou seja sem condições de trabalho. “Tenho 50 minutos para preparar o laboratório, limpar da outra turma, arrumar o novo material e ainda dar aula prática para outros 40 alunos. E tudo isso sozinha”, disse a professora de ciências. “A estrutura que temos hoje nas escolas é um faz de conta que alguém ensina e outro faz de conta de que alguém aprende. Aqui na escola tem um diretor, uma merendeira e uma faxineira, além das professoras. Nem gente na biblioteca tem”, contou um diretor.
Amor é bom, mas a educação precisa também de verbas. Gostaria de deixar um trecho de um texto da professora Dra. Denise Trento Souza, em “Formação contínua de professores e fracasso escolar: problematizando o argumento da incompetência”.
“Aqueles que definem as políticas educacionais e elaboram os programas educacionais parecem tomar emprestadas do universo da literatura academica apenas as idéias e análises mais convenientes, que lhes serão politicamente mais vantajosas, tipicamente aquelas que auxiliarão o desenvolvimento de ações de maior visibilidade para o público em geral, em benefício do governo do momento.”
ALBERTO says:
junho 26th, 2006 at 11:33 am
Há ainda questões funcionais. Por exemplo, a evolução funcional. Da forma que ela está, não há interesse algum em evoluir. A diferença salarial entre uma faixa e a seguinte é pouco. Mesmo a última, a diferença é ridicula – e vc só atinge com mais de 20 anos de carreira. Assim, não há estimulo algum. Sobre os salários, bem, você já sabe. E parabéns pelo seu blog. abraços e espero manter contato.
Vilsa says:
julho 10th, 2006 at 11:34 am
Adorei o blog, principalmente o texto que faz referência à pedagogia do afeto, pois percebe-se a grande influência governamental nos sentimentos humanos, buscando formas avassaladoras de cobrir seus jeito estranho de administrar a partir da busca do amor e afeto, quando, na verdade, estamos sedentos de verbas que nos possibilite um bem-estar, uma satisfação profissional e uma vida digna.
André Kenji says:
julho 18th, 2006 at 11:35 am
Na verdade, o “amor” que o secretário fala tem o lado ruim por quê muitos professores são condescendentes demais com os alunos por quê eles tem origem pobre, além de terem medo de exigir dos seus alunos. Acho que essa ligação emocional ruim: escola, mais que amor, é conteúdo, exigência.
É tão perigoso quanto um professor namorar uma aluna(E vice-versa). Só que se muitos professores evitam de fazer isso, ninguém tem medo de fazer o papel de tia que mima sobrinho com aluno.
Carlos Aquino says:
agosto 2nd, 2006 at 11:36 am
hummm,
deixa eu mudar o alvo um pouco.
Um dos “medos” de votar e quem sabe conseguir eleger Heloísa Helena é este. Já pensou, se ele eleita não dá uma “berada de unha” para os professores ? Uma enorme decepção não ? Assim como foi votar em Lula em 1998/2002 e ter como presidente um homem que fica de 4 para os bancos/especuladores.
Aqui em minas não temos opção para governador. Aécio já está eleito.
Fátima says:
agosto 15th, 2006 at 11:36 am
Ei,Débora:
Este blog continua excelente.
Concordo, plenamente, com sua posição sobre amor e condições de trabalho.Será que um dia ainda poderemos ter tudo isto? Por enquanto só encontrei numa escola particular.Na rede pública é quase utópico, embora continuemos brigando por isto.
Beijos
Fábio Silva says:
setembro 12th, 2006 at 11:38 am
Muito pertinente seu texto Débora. A meu ver, é impossível falar de ações que os professores devem tomar, sem antes falar das ações que o ESTADO deve tomar em relação a estes mesmos. Mas o discurso tem sido este, apenas uma estrada de mão única…
Karen says:
outubro 11th, 2006 at 11:38 am
oi Débora!!!
Seu blog é excelente e muito útil para refletirmos sobre as questões educacionais do nosso país.
Realmente, é preciso muito mais que amor.
carla eneias says:
novembro 16th, 2006 at 11:38 am
Diante de todas suas quetoes posso lhe dizer que voce tem uma especialidade muito boa enfim;tudo de bom e maravilho.
Ana says:
abril 30th, 2007 at 8:40 am
o conteúdo deste livro é de uma grandesa impressionante, pois dar direcionamento para tratarmos com sensibilidade cituações que muitas vezes por falta de equilibrio emocional perdemos o controle delas.
Luciano Cerqueira says:
fevereiro 3rd, 2008 at 11:55 am
Concordo de forma plena com o exposição da colega e acredito que a educação será vista de outra forma quando as tabelas estatísticas dos organismos internacionias ficarem em um segudo plano, bem como uma “revolução” for aplicada nessa área tão estratégica que o Brasil precisa e que os governates miopes ainda não viram.
Marina Lans says:
fevereiro 3rd, 2008 at 12:00 pm
Oiiiii!!!!!!
É, eu também concordo!!
To certa!!
Beijo!!
Romaria says:
julho 25th, 2008 at 11:38 pm
o afeto é primordial sim, quando se trata de educação, seja no ãmbito familiar ou escolar.Os governantes do país têm que cumprir sua parte,mas na maioria das vezes a exclusão e o despreparo inicia na própria escola e família.Todos sabemos que os bandidos e oportunistas sejam eles o de “colarinho branco” ou não passaram por estas dua instituições.Atualmente o Estado, a Família e a Escola só pensam nas verbas e não nos filhos. As manchetes dão a prova disso basta saber interpretar.
Antonio Carlos Coelho Vidal says:
maio 11th, 2009 at 7:48 pm
Gostei muito do seu blog e vejo que concordamos em muitos aspectos,já que sendo formado como professor,desisti de longo tempo lecionar e sofrer com o descaso das autoridades federais,estaduais e municipais com a educação.
Edmairy Araújo says:
maio 19th, 2009 at 12:14 pm
Oi Débora. Sou estudante de jornalismo e parabenizo o nível do seu blog. Concordo plenamente quando você diz que é preciso muito mais que “amor” no que se refere à educação. Acho que amor de verdade é o que sentem muitos professores pela profissão: são submentidos a uma carga horária excessiva, recebem uma remuneração ínfima, atuam sob péssimas condições de trabalho, recebem alunos que, muitas vezes, não são educados pela própria família e ainda são criticados pelos próprios colegas quando lutam por seus direitos. Não sou professora, mas creio que todo profissional deva desfrutar de boas condições para exercer o seu trabalho de forma digna e ser reconhecido pela função que exerce. Muitas pessoas dizem: _Quem escolhe ser professor já sabe como é a realidade, por isso não deve reclamar.
Discordo totalmente dessa afirmativa, pois vocês escolheram apenas a profissão, e não as condições de trabalho. Apesar de conhecer a realidade não devemos nos conformar com ela. O professor é um ser humano, e por isso tem pleno direito de ficar insatisfeito com o que fazem com a educação pública. Abraço.
Francisca Canindé says:
maio 8th, 2011 at 2:09 pm
Mas você acredita na pedagogia do amor?