Prefeituras de SP terceirizam a educação
segunda-feira, janeiro 30, 2006 20:52… não temos professores preparados o suficiente, não temos professores críticos, portanto, nossos alunos terão uma formação deficiente…
Deu hoje na Folha de São Paulo que algumas escolas públicas estão usando a verba que recebem das prefeituras para manter convênios com sistemas particulares. Mais de 129 municípios já “terceirizaram” as aulas.
Isso é assumir que o sistema público de ensino está falido. Se dependemos que escolas particulares montem apostilas e preparem os professores das escolas públicas, não temos professores preparados o suficiente, não temos professores críticos, portanto, nossos alunos terão uma formação deficiente.
Prefeituras de SP terceirizam a educação
Depois dos serviços de coleta de lixo, de varrição pública e de recapeamento asfáltico, os municípios estão terceirizando até mesmo a educação. Prefeitos de 145 cidades brasileiras, sendo 129 no Estado de São Paulo (um quinto das 645), passaram a usar os recursos federais destinados ao setor para pagar convênios com sistemas particulares de ensino, como o Objetivo, o COC e o Anglo.
Apesar de não ser ilegal, as parcerias são contestadas por especialistas, já que o dinheiro público é repassado ao setor privado e nem sempre os convênios firmados garantem uma melhora na qualidade de ensino.
Os municípios compram um kit básico que contém apostilas para os alunos, treinamentos periódicos para professores e planejamento pedagógico. Alguns pacotes incluem avaliações da rede e fornecem ajuda pela internet. As principais empresas não divulgam seus custos, mas eles variam de R$ 145 a R$ 260 por aluno/ano. As aulas ocorrem em escolas da rede municipal e os docentes são pagos pelas prefeituras.
Mesmo com boa parte dos pais aprovando a medida, educadores lembram que a responsabilidade de capacitar professores, elaborar projetos e oferecer material didático deve ser dos municípios. “Escolas não são empresas. Cada uma vive uma realidade e precisa de um projeto próprio. Não dá para impor um currículo único”, diz a chefe do departamento de Administração Escolar e Economia da Educação da Faculdade de Educação da USP, Lisete Arelaro.
Fonte: Folha de SP