Conto #002 - Violência em sala de aula
Em uma escola estadual de São Paulo, bairro do Butantã, uma professora dava aulas de gramática. Virou-se para a lousa e começou a escrever, deixando sua bolsa fechada sobre a mesa ao lado de cadernos.
Voltou-se para os alunos, passou o olhar pela mesa e percebeu que sua bolsa estava aberta e revirada. Estranhou. Passou a mão dentro de sua bolsa e sentiu falta do celular. Olhou para a classe e pediu: “Quem pegou meu celular, por favor, me devolva”.
Um aluno respondeu: “Você está acusando a gente de ter roubado seu celular?” Ela disse - “sim, eu estou vendo que vocês mexeram na minha bolsa, eu só quero meu celular de volta”. Ela ouviu depois: “Fique quieta sua $%, senão vamos te pegar na saída”.
Duas matérias publicadas na Folha de São Paulo, no dia 1 de maio, falavam da violência e indisciplina em salas de aula.
Uma das matérias, com o título “Metade dos docentes já foi xingada por aluno”, traz uma pesquisa que mostra que 47% dos professores ou funcionários já foram xingados por alunos e que 51% dos estudantes consideram o clima na escola ruim, péssimo ou mais ou menos.
Aqui em São Paulo, muitos professores que conheço realmente sentem medo dos alunos. As relações professor x aluno estão cada vez mais agressivas. E não é só de aluno para professor. Muitos professores que pensam na “coação” como uma boa forma de manter o respeito em sala de aula.
O segundo texto mostra o exemplo da escola que conseguiu baixar o índice de violência oferecendo espaço para atividades culturais e esportivas. Veja esse trecho:
(…) abrir a escola aos finais de semana também é a principal estratégia da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo para diminuir a violência. Isso foi posto em prática com o projeto Escola da Família, que começou em 2003. “Desde então, as agressões a funcionários caíram 30%”, diz a assessora pedagógica do programa Maria Helena Marques Rovere.
Uma pequena ação que mexe diretamente com a auto-estima do jovem melhorou o relacionamento na escola. Faltou só pensar uma forma eficiente de apoiar a família e o mestre na responsabilidade da introdução do jovem na sociedade. Quem sabe os outros 70% dos problemas não seriam resolvidos?
