Mais atenção aos cursos tecnológicos

O Seminário Internacional Ensino Superior numa Era de Globalização, que aconteceu no dia 3 de dezembro, na sede da Fapesp, analisou que o Brasil precisará dar mais atenção aos cursos tecnológicos para ter um ensino superior democrático de qualidade.

Dados do Censo da Educação Superior brasileiro e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) provam que menos de 1% dos estudantes no país se formou em cursos superiores tecnológicos, nos últimos dez anos. Enquanto isso, nos países desenvolvidos o índice chega a 29%.

O grande problema é que os cursos tecnológicos não são tão valorizados. As pessoas pensam que por terem um currículo diferente, seria um curso menos nobre que uma faculdade. Mas aí é um longo trabalho para quebrar o preconceito e incentivar o crescimento desses cursos no Brasil.

Veja a matéria completa aqui.

Quem quer ser professor?

Ontem foi o dia dos professores. Há quem não reconheça a imensa responsabilidade de um profissional desses. Fala-se muito da responsabilidade de outras profissões, como médicos, engenheiros, por exemplo. Não desmerecendo ninguém, é o professor o responsável pela formação de um cidadão, como você, que pode ler um texto como este.

Formar um cidadão, passar uma visão de mundo, deve ser um peso incrível sobre os ombros daqueles que têm essa função. Vai muito além de ensinar o be-a-bá.

Faz uns três meses que vejo notícias falando da falta de docentes no ensino básico estampadas em vários veículos.

professor

“Mais de 70% dos formados em Licenciatura no País não trabalham como professores nas escolas brasileiras. [...]

A valorização da profissão [de professor] minguou com a expansão de estudantes nas escolas públicas brasileiras na última década. Em julho, o Conselho Nacional de Educação (CNE) chegou a divulgar um estudo que falava em apagão de professores, já que o País teria uma déficit de 246 mil profissionais. [...]

‘A responsabilidade em trabalhar com crianças é muito grande e a remuneração é baixa’, diz profissional que atua como personal trainner. ‘Além disso, na academia somos mais respeitados’.” Estadão - 15/10

E você, professor, como incentivaria um jovem a ingressar nesta profissão?

O papel da riqueza econômica na vida escolar dos jovens

A professora da UFMG Maria Alice Nogueira fez uma pesquisa que vai contra a corrente do que dizem as pessoas (coisas maravilhosas acontecem quando alguém coloca à prova o senso comum) e em lugar de produzir mais um estudo sobre o fracasso escolar da população pobre, investigou se havia fracasso escolar entre alunos cujos pais são médios e grandes empresários em Minas Gerais.

No imaginário popular, as universidades públicas têm suas vagas preenchidas pelos “ricos”, graças à equação: Boas escolas particulares + apoio financeiro = maior oportunidade de ingressar em uma Universidade Pública.

O artigo Favorecimento Econômico e excelência escolar: um mito em questão fez a prova dos nove. Investigando a trajetória escolar de 23 estudantes entrevistados, a professora Maria Alice Nogueira descobriu:

Um pouco mais da metade do grupo investigado sofreu alguma reprovação ao longo da escolaridade básica (ensino fundamental e médio). Mais precisamente, 13 jovens foram afetados, perfazendo juntos um total de 19 reprovações.

[...] A defasagem acumulada no percurso não impedirá, no entanto, os jovens em atraso de ingressar no ensino superior. [...] Além disso, há também o fato de que a escolha da instituição de ensino superior recai sobre instituições privadas que se caracterizam por praticarem exames vestibulares menos seletivos e, na maior parte, pouco exigentes.

[...] Com relação especificamente ao vestibular da UFMG, 7 três quartos dos jovens tentaram (quase sempre, uma única vez), mas não obtiveram aprovação nesse vestibular. Quanto ao quarto restante, é razoável supor que, diante do alto grau de competitividade, jovens com preparo insuficiente, ou que assim se sintam, não se candidatam a esse exame vestibular.

A autora ainda complementa o dado com um estudo realizado por Simon Schwartzman, em 2004, com base nos dados do IBGE, prova que o estudantado do ensino superior privado apresenta renda familiar superior à do estudantado da rede pública.

O artigo também revela que 17 dos 25 jovens entrevistados exerciam atividade remunerada desde os 18 anos, e estavam matriculados nos cursos noturnos porque conciliavam trabalho e estudo.

Redação na escola: incentive o aluno a pensar

Quem nunca recebeu uma redação (escolar ou não) vazia de significado e que, ao terminar a leitura, não foi capaz de entender o que o autor quis dizer? Você, que presumiu que os alunos soubessem se expressar por texto, agora tomou esse susto. Recebeu um monte de palavras no papel. Como fazer o estudante recuperar/adquirir a capacidade de discursar pela escrita?

Vamos pensar nos grandes escritores. Camões pediu às ninfas do rio Tejo (as Tágides) que elas o ajudassem na empreitada de cantar as glórias de seu povo. “Cantando espalharei por toda parte/Se a tanto me ajudar o engenho e arte”, disse o poeta no Canto I de Os Lusíadas. Arte não é todos que podem, mas engenho é pra quem quer. Escrever é um trabalho duro de revisão, reescrita, reestruturação de texto. É incrível como ainda tem gente que pensa que escrever é APENAS sentar-se diante de uma folha de papel e “deixar a imaginação solta”.

Hoje, o principal problema apresentado em redações escolares pode ser resumido assim: o aluno não sabe pensar o texto como uma conversa. E o erro está no modo que a redação foi um dia introduzida em sua vida. Quem nunca ouviu a professora orientar a divisão da redação “Introdução/Desenvolvimento/Conclusão”? Sem explicar o por quê da famosa fórmula, as regras tornaram-se engessadoras da produtividade.

Seria mais fácil mostrar ao aluno que a redação é discurso, conversa, é necessário apresentar uma idéia e debatê-la com leitor. E para isso é preciso reescrever muitas vezes um texto, ter [algum] conhecimento no assunto debatido, lê-lo em voz alta, apresentar para que outra pessoa o leia e aponte o que não ficou claro. No final das contas, ensinar o aluno a argumentar é o mesmo que ensiná-lo a PENSAR!

E olha que tem gente que perde tempo pensando que o “miguxês*” é o maior problema das nossas redações. (*miguxês - linguagem usada para comunicação informal em chats, orkut, bilhetinhos; escrita que utiliza sons da língua portuguesa. ex. “miguxo amu todos vo6! beijaum! s2″.)

Durante esse mês e o próximo vou publicar no blog resenhas de livros que são referência no assunto Redação Escolar. Eu sei que há muitos livros mais recentes sobre o mesmo tema, mas esses selecionados são alguns dos autores que realmente leram e entenderam os grandes filósofos da linguagem, como Saussure, Bakhtin entre outros.

Quem quiser se adiantar para o debate, os livros são:

Problemas de Redação - Pecora, Alcir

A Redação na Escola - Franchi, Egle Pontes

Como um romance - Pennac, Daniel

O papel da família

Longe de mim querer isentar a escola e os professores da responsabilidade de formar o aluno. Mas não podemos radicalizar decidindo se é apenas responsabilidade da escola ou só da família. Essas tarefas são muito bem divididas e se de algum lado está falho, compromete o resultado final - que é por acaso a vida de um ser humano.

Para aqueles que pensam que a família não desempenha um papel fundamental na formação do estudante OU que a reestruturação da nossa educação passa longe da porta de nossa casa (é só problema dos professores), abaixo está o depoimento que João Francisco Ferreira de Souza, 17,primeiro lugar geral do vestibular da UNICAMP 2007, especialmente para o blog Contos da Escola. :-)

Eu posso dizer que a família é fundamental na formação de qualquer indivíduo culturalmente, socialmente, como cidadão e como ser humano. Bem, eu devo tudo aos meus pais, sabe? Desde pequeno eu recebi todo apoio dos meus familiares. Fui incentivado à leitura, à vontade de aprender, à curiosidade e, eles sempre tiveram toda paciência pra tentar responder a todos os “por quês” que eu soltava quando pequeno. Sempre fui acompanhado na escola, e estudar é um hábito que é imposto a nós quando pequenos. Tomei gosto por estudos depois de um período de adaptação quando era criança. Digamos que, quando estava na alfabetização, minha mãe mandava eu fazer a tarefa (e ela conferia) antes de jantar. Tenho até um professor que fala que estudar é como escovar os dentes. É um hábito… ninguém nasce sabendo como estudar e ninguém nasce gostando de estudar. Isso tem que ser desenvolvido. Além disso, o apoio familiar durante a época de vestibular, na hora dos fracassos é fundamental. Nunca fui obrigado a tirar notas boas nem obrigado a passar de primeira no vestibular. Aliás, pelo contrário, meus pais sempre se preocuparam em saber se eu estava aprendendo, só isso. João Francisco Ferreira de Souza.

É urgente a necessidade da aproximação da família com a escola e que os pais e responsáveis sintam a obrigação de acompanhar a vida escolar do aluno. Afinal, todos temos condições de perguntar se nosso filho fez a lição de casa.

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