Notebook de mil reais para professor já tem data para ser vendido

O governo disponibilizou um site com mais detalhes sobre o Projeto Computador Portátil para professor que vai oferecer aos professores da rede pública e privada o notebook de R$ 1000,00 reais. A idéia do programa é facilitar a inclusão digital dos professores de nível básico, profissional e superior.

A configuração mínima foi anunciada no site.

- memória de 512 megabytes (expansível para 1 MB)
- disco rígido de armazenamento de 40 gigabytes
- tela plana de cristal líquido (LCD)
- internet sem fio (tecnologia wireless)
- software livre

Achei a configuração mínima muito fraca pelo preço que será cobrado. É possível encontrar ofertas de notebooks com hardware mais poderoso pelo mesmo preço e igualmente parcelado em 12 vezes! Por isso, fique de olho em outras ofertas e não pense que isso que o governo está oferecendo é a melhor opção.

Aqueles que estão interessados nesse notebook poderão adquirí-lo a partir de 9 de outubro, segundo o site dos Correios, que foi escolhido para ser a loja virtual do programa. Antes da liberação final a todos os interessados, o programa passa por uma fase de teste, a partir do dia 11 de agosto, e somente os professores de cidades escolhidas para implementação de teste do projeto poderão comprar o produto.

Uma outra idéia interessante seria dar aos professores o mesmo financiamento para que eles comprassem seu notebook onde bem entendessem. Talvez grandes redes oferecessem benefícios ainda melhores se soubessem de um público tão grande prestes a comprar notebooks.

Computador na escola: Unicamp esquenta o debate sobre o uso da tecnologia na educação

O artigo publicado recentemente pela Universidade de Estadual de Campinas (Unicamp) causou um certo burburinho entre os professores que são contra e a favor do uso da tecnologia na educação. Desvendando mitos: os computadores e o desempenho no sistema escolar é o nome do texto publicado pelo Centro de Estudos Educação & Sociedade da Unicamp (CEDES Unicamp), que causou a movimentação na comunidade.

Devendando mitos… fala de uma exclusão educacional criada pelas “políticas públicas de educação que têm dado bastante ênfase à necessidade de informatizar as escolas e modificar práticas de ensino devido ao advento da sociedade de informação.” No estudo, os pesquisadores se baseiam em dados fornecidos pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) [de 2001] para verificar qual o resultado do uso do computador por crianças das 3º e 4º séries do ensino fundamental ao fazer as tarefas de casa.

Como tudo começou

Uma pesquisa publicada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2003, chamada Mapa da Exclusão Digital, analisou dados do SAEB 2001 e concluiu que alunos que têm acesso à Internet têm melhor desempenho na escola. O artigo Desvendando os mitos… foi escrito baseado nos mesmos dados dessa pesquisa e rebateu essa afirmação, dizendo:

“Na ausência de avaliações mais precisas, o referido estudo [Mapa da Exclusão Digital], que usou dados recolhidos pelo SAEB, desenvolve uma conclusão que serve e apoio à política governamental de investir em computadores e acesso à Internet, com o objetivo de melhorar a qualidade de ensino. Este mesmo estudo também legitima iniciativas privadas que buscam o mesmo bjetivo.”

Das críticas ao artigo da FGV - feitas pela equipe de pesquisadores da Unicamp -, destaco a seguinte, que é inclusive o questionamento norteador da pesquisa Desvendando os mitos…:

“Um ponto aberto à crítica neste trabalho é que a análise não leva em consideração a classe socioeconômica do aluno. Por exemplo, a renda média das famílias incluídas (com computador no domicílio) é de R$ 1.677,00 e a renda familiar média dos excluídos está em R$ 452,00. Então, não está claro se o melhor desempenho dos incluídos é devido à posse do computador ou a uma renda significativamente maior. Assim, uma série de questões emerge: em primeiro lugar, será que o nível socioeconômico da família do aluno não tem um efeito maior sobre o seu desempenho do que ser proprietário de um computador?”

O que revela o artigo “Desvendando mitos: os computadores e o desempenho no sistema escolar”

O artigo feito pela Unicamp mostrou que os dados do SAEB podem ser destrinchados da forma que for mais conveniente. Nessa análise, a equipe de pesquisadores resolveu mensurar os resultados dos alunos que utilizam computadores para fazer seus deveres de casa, separando-os pela classe socioeconomica. O resultado é:

“Para os alunos de todas as séries e para todas as classes sociais o uso intenso do computador diminui o desempenho escolar. Para alunos da 4ª série, das classes sociais mais pobres, mesmo o uso moderado do computador piora o desempenho nos exames de português e matemática”.

Resumindo (com as próprias palavras do coordenador da pesquisa, Jacques Wainer), o artigo afirma que “idéias como a de dar um laptop para cada criança parecem péssima opção, principalmente considerando que ele piora o desempenho escolar entre as crianças mais pobres. Corremos o risco de transformar a inclusão digital em uma exclusão educacional”.

Aqui, repito a constatação feita por André, do blog Futuro Professor, em seu post Computadores e o Desempenho Escolar:
“a pesquisa se restringiu à análise estatística dos dados, não
discutindo as razões deste resultado. Vale a pena destacar que ela não
possui informações mais detalhadas sobre o uso do computador para as
tarefas escolares”.

As críticas

Alguns professores reclamaram da superficialidade da pesquisa, pelos mesmos motivos destacados no blog Futuro Professor, reproduzidos acima. Uma manifestação interessante foi a da professora dra. Léa Fagundes, que ganhou destaque na revista eletrônica EducaRede, na reportagem Em debate: computadores prejudicam os alunos?: “dizer que o computador é culpado pela criança não aprender é dizer: professor, a escola e a sociedade não estão sabendo ajudar a criança a usar o computador”, disse a professora durante o evento Campus Party 2008, em São Paulo.

Há também outras críticas que reclamam que os dados utilizados são ultrapassados, como as do professor dr. Cesar Nunes. Ele também lembra que artigos como esse podem comprometer o trabalho de pessoas sérias na área:

Além de enfrentarem as dificuldades internas nas escolas inerentes aos processos de transformação pelo uso dos computadores, aqueles que estão fazendo bons trabalhos e mostrando o caminho têm que enfrentar também as dificuldades por serem colocados dentro do mesmo saco daqueles que fazem mau uso da tecnologia como fazem os autores do artigo. Será que eles percebem o desserviço que fazem ao desvalorizar dessa maneira as boas iniciativas que pipocam no processo natural de inovação?

Minhas críticas

Da mesma forma que “selecionei” o conteúdo para escrever esse post, todas as pesquisas que resolvem tirar uma conclusão, selecionam os dados que mais lhe interessam. Portanto, é indispensável abrir os olhos para qualquer pesquisa.

O que mais me impressionou nesse debate foi: tanto o texto Desvendando mitos… quanto os professores que criticaram o artigo usaram os mesmos argumentos para defender suas respectivas opiniões. Incrível, não é? Opinões distintas são defendidas pela mesma idéia: o computador sozinho não realiza o milagre da educação! Isso significa que estamos dando voltas no mesmo assunto, sem evoluir.

Se já chegamos a essa idéia comum, que tal pensarmos nos próximos passos? Que tal se os professores que conseguissem bons resultados com o uso da tecnologia em sala de aula mostrassem suas metodologias, suas reflexões?

Deixo abaixo a reflexão da professora Martha Stone, da Universidade de Harvard:

“Uma das dificuldades mais duradouras em torno da questão de tecnologia e educação é que muitas pessoas pensam em tecnologia em primeiro lugar e depois em educação”

Você realmente precisa do Twitter para dar uma aula?

Mal surge uma ferramenta “nova” na web e alguns tentam dar um fim educativo para aquilo. No entanto, é preciso prestar bastante atenção nesse discurso professor 2.0.

Refiro-me ao uso da ferramenta de microblogging Twitter em educação. Se para o uso cotidiano o Twitter divide opiniões, seu uso em sala de aula tem utilidade bastante duvidosa.

Alguns professores já escreveram que a ferramenta pode ser boa para uso em sala de aula porque as discussões ficam mais objetivas, resumidas a 140 caracteres. Além disso, pode ser usado como fórum para debates. Ou ainda tem quem aponta a utilidade de quadro de avisos, para lembrar o aluno do dever de casa.

Blá, blá blá. Os fãs da ferramenta vão precisar de um pouco mais de esforço argumentativo e criatividade para mostrar que o Twitter é algo bacana para ser usado em sala de aula. Essas ladainhas parecem empolgação da moda, como diz o professor Sergio Lima.

Aos professores, sugiro que avaliem sempre se há real necessidade do uso ferramentas on-line. Em caso positivo, pense novamente e avalie se a atividade poderia ser realizada com papel e caneta. Se tudo apontar para a internet como parte de seu programa de aula, dê coerência para a atividade, fundamente bem seu uso, para que o aluno finalmente aprenda a matéria.

Em tempo, gostaria de saber dos professores usuários de Twitter se existe alguma idéia consistente para uso em sala de aula. Se tiverem sugestões, compartilhem e coloquem na roda para discussão!

Jogos educativos online

Criar um game online com finalidade educativa não é tarefa fácil. Ainda mais quando você se propõe a fazer algo que não dê para ser jogado offline, ex. jogo da memória é um jogo offline. 

Ao visitar sites infantis recomendados por alguns amigos professores da lista de discussão, percebi que os sites infantis estão recheados de jogos que reproduzem o que temos na vida real. A minoria dos jogos apresentados necessitam de fato de uma interface eletrônica.

Enquanto pesquisava, encontrei dois sites muito interessantes sobre games. Um deles é o da professora Lynn Alves, que publicou uma série de artigos sobre jogos educativos. Outro site sobre o tema é o Game Cultura, uma comunidade sobre jogos online e executáveis.

Sala de aula digital no Espírito Santo

O Governo do Espírito Santo criou um programa chamado “Sala de Aula Digital“. O objetivo é melhorar a qualidade da aprendizagem dos estudantes utilizando-se de ferramentas tecnológicas.

Estudante no PC

A primeira ação, que deverá chegar aos professores ainda neste ano, prevê o oferecimento de cursos de informática básica aos professores da rede estadual. Além disso, está programada a distribuição de equipamentos multimídia, que vão beneficiar 92.297 alunos e 3.244 professores.

A Secretaria de Educação planeja investir na orientação dos professores. Para isso, disponibilizará uma lista de endereços eletrônicos que servirá como fontes de pesquisa para orientar o docente na preparação de sua aula.

A idéia é que toda a utilização dos equipamentos seja monitorada e que, no segundo semestre de 2008, os próprios professores passem a produzir um aulas digitais que poderão ser utilizadas, com pequenas adaptações, em toda a rede de ensino.

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